O parlamento da Turquia deve aprovar por larga maioria, nesta quarta-feira, a moção que prevê uma incursão militar turca no norte do Iraque. A operação teria como alvo rebeldes separatistas curdos com bases no país vizinho.
O documento diz que a Turquia advertiu o Iraque repetidas vezes sobre as ações de membros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), mas que nenhuma medida foi tomada pelo governo iraquiano.
A Turquia afirma que o grupo é uma organização terrorista responsável pela morte de pelo menos 15 soldados turcos nas últimas duas semanas e diz que os separatistas curdos têm liberdade de movimento no norte do Iraque.
Jamal Abdallah, um porta-voz do governo da região iraquiana do Curdistão, afirmou à BBC que não existe cooperação com o PKK.
— Nunca ajudamos e não estamos ajudando o PKK. As bases deles não estão sob controle das autoridades regionais do Curdistão —, disse.
Caos na região
O analista da BBC Nick Child disse que uma incursão turca pode ser uma ameaça aos campos de petróleo nos arredores da cidade de Kirkuk.
Ainda segundo Child, autoridades iraquianas e americanas também temeriam que uma ação militar turca provoque um caos na única região do país que ainda é “relativamente calma”. O governo do Iraque pediu "negociações urgentes" a respeito da ameaça da Turquia.
O vice-presidente iraquiano, Tareq Hashemi, que esteve em Ancara nesta terça-feira para conversar com as autoridades turcas, pediu mais tempo para tentar conter as bases rebeles curdas.
— O governo iraquiano deveria ter a chance de pode prevenir as atividades terroristas na fronteira —, disse Hashemi à agência de notícias turca Anatólia.
— Eu consegui o que queria com os diálogos. Uma nova atmosfera emergirá desta crise —, afirmou.
Mal-estar
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que a aprovação da moção não significa que a operação militar seja iminente, mas avisou que a Turquia agirá “de forma decisiva no combate ao terrorismo”.
O secretário-geral da OTAN (Organização do Tratado Atlântico Norte), Jaap de Hoop, também entrou no debate ao telefonar nesta quarta-feira para o presidente turco, Abdullah Gul, para pedir “moderação”.
As relações entre os Estados Unidos e a Turquia estão balançadas desde a semana passada, quando o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes descreveu como "genocídio" o assassinato em massa de armênios por turcos otomanos durante a Primeira Guerra Mundial.
A Turquia é um ponto estratégico para os Esatdos Unidos na região e analistas acreditam que a votação do comitê da Câmata possa levar autoridades turcas a restringirem o acesso americano à base aérea de Incirlik, considerada importante para forças americanas operantes no Iraque e no Afeganistão.
Parlamento turco discute moção para invadir o Iraque
Quarta, 17 de Outubro de 2007 às 08:08, por: CdB