Rio de Janeiro, 09 de Outubro de 2026

Parlamento pressiona por revisão no programa espacial brasileiro

Pela terceira vez em 12 anos, o Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) será submetido a uma revisão. A Agência Espacial Brasileira (AEB), pressionada por setores tanto da Câmara dos Deputados, quanto do Senado, prometeu começar, ainda este mês, os trabalhos de atualização do documento. (Leia Mais)

Sábado, 10 de Janeiro de 2009 às 11:43, por: CdB

Pela terceira vez em 12 anos, o Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) será submetido a uma revisão. A Agência Espacial Brasileira (AEB), pressionada por setores tanto da Câmara dos Deputados, quanto do Senado, prometeu começar, ainda este mês, os trabalhos de atualização do documento. A perspectiva é de que o novo texto seja concluído no início de 2010, definindo as prioridades do setor até 2020, aproveitando para melhor adequá-las ao Plano Plurianual (PPA), documento em que o governo federal estabelece os projetos e programas de longa duração que considera prioritários.

Segundo o diretor de Satélites e Aplicações e Desenvolvimento da AEB, Thyrso Villela, que responde pela presidência interina da agência, a revisão do programa é natural, já que algumas de suas ações se encontram desatualizadas.

– Fazemos um planejamento de longo prazo, mas, na realidade, é preciso ter a flexibilidade de poder adaptá-lo às pequenas mudanças de rumo que acontecem e que são normais em projetos que envolvem tecnologia. A melhor forma de fazermos isso é elaborando um estudo detalhado – disse Villela.

Publicado em agosto de 1996, em substituição à Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), de 1979, o PNAE estabelece os objetivos e as diretrizes que norteiam as ações governamentais necessárias à concretização dos objetivos estabelecidos pela Política Nacional de Desenvolvimento de Atividades Espaciais (PNDAE). Segundo a própria AEB, a MECB foi responsável por estabelecer o primeiro programa espacial brasileiro de grande porte e de longo prazo, antecedendo o PNAE, ao definir metas como o desenvolvimento de pequenos satélites de coleta de dados ambientais e sensoriamento remoto, além de um veículo lançador de satélites.

A primeira edição do PNAE abrangia o período de 1996 a 2005. Já em 1997, no entanto, uma primeira revisão e atualização do programa foi aprovada, com a previsão de que vigorasse até o ano de 2007. Em setembro de 2005, o documento foi revisado pela segunda vez, estabelecendo ações e objetivos a serem desenvolvidos até 2014. De acordo com Villela, nesta terceira atualização, as linhas gerais do PNAE deverão ser melhor adequadas ao PPA.

– Nossa primeira grande aspiração é trabalhar em um patamar de recursos maior do que o que temos hoje – disse Villela, afirmando que, hoje, a estimativa é de que o país tenha que investir R$ 200 milhões ao ano para desenvolver seu programa espacial, implementando um centro de lançamento de satélites, dominando a tecnologia necessária para lançá-los e construí-los.

Para Villela, pelo menos dois importantes marcos para o programa espacial brasileiro foram atingidos desde a última revisão do PNAE: o lançamento, em 2007, de um satélite CBERS-2B, equipado com três câmeras de alta resolução para monitorar florestas, regiões costeiras e grandes cidades brasileiras e o sucesso do teste, em 2008, com um dos motores do foguete do veículo lançador de satélites.

– Outra coisa que esperamos que fique bem definido é a (política de) formação e retenção de recursos humanos para os centros de pesquisa – afirmou Villela, citando a implantação do satélite de monitoramento do espaço aéreo e territorial brasileiro, o Satélite Geoestacionário Brasileiro, como exemplo de ação já contemplada no PPA, que “precisa ser mais bem definida em termos de recursos e de projeto

Responsável por definir o conteúdo básico, a abrangência e a periodicidade da revisão do PNAE, o Conselho Superior da AEB informou que a atualização irá envolver a participação dos setores acadêmicos e industrial, além de outros setores da sociedade, como representantes dos poderes Executivo e Legislativo.

A AEB também recebeu, neste sábado, as últimas imagens do Telescópio Espacial Hubble, com o qual mantém convênio de cooperação técnico-científico. Em uma das imagens aparece a lua Ganymede, brincando de esconde-esconde com a Terra, no momento em que girava para trás do seu gigantesco anfitrião na órbita que dura sete dias terrestres.

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