O Parlamento israelense rejeitou por 79 votos a 39 a realização de um plebiscito sobre a retirada de Gaza, plano do primeiro-ministro Ariel Sharon. Os colonos judeus que não querem deixar suas casas nos territórios ocupados advertiram para a possibilidade de uma "guerra civil".
Depois da derrota da proposta, os parlamentares voltaram a debater o Orçamento de 2005, o último obstáculo para a execução do plano. O início da retirada dos colonos está marcado para 20 de julho.
O Orçamento, que deve ser votado ainda esta semana, ficou em perigo por causa de um motim dentro do partido de Sharon, o Likud. Mas Sharon conseguiu fechar um acordo com um partido de oposição centrista, no sábado, para garantir a maioria da votação.
Os mediadores do processo de paz acreditam que a retirada de Gaza é importante para a implantação do chamado "mapa do caminho", que estabelece um Estado palestino. A esperança aumentou com a trégua observada pelos palestinos, com algumas exceções, desde o mês passado.
Mas, num sinal de tensões à frente, forças israelenses fizeram buscas na cidade de Jenin, na Cisjordânia, na segunda-feira e prenderam oito militantes palestinos, acusados de preparar ataques.
Para tentar acalmar os protestos dos colonos, Sharon prometeu que vai manter os enclaves judaicos na Cisjordânia, onde vivem a maioria dos 240 mil colonos, em qualquer acordo de paz com os palestinos.
Os palestinos querem um Estado em toda a Cisjordânia e em Gaza, territórios capturados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.
O conselho de assentamentos judaicos Yesha condenou a decisão do Parlamento e afirmou que ela pode provocar um conflito civil.
- Sharon arruinou a possibilidade de levar o plano de desocupação para uma decisão do povo, para prevenir confrontos violentos e uma guerra civil - disse o Yesha num comunicado.
Analistas políticos israelenses haviam demonstrado a preocupação de que o plebiscito criasse um precedente perigoso, tirando a autoridade do governo de decidir assuntos polêmicos.
Nacionalistas religiosos israelenses chamam o plano de retirada de Gaza de uma "capitulação ao terror palestino".
Sharon, ex-general de direita, sempre foi favorável aos assentamentos judaicos nos territórios ocupados, mas agora diz que os colonos que vivem entre o 1,3 milhão de palestinos se transformaram num ponto vulnerável, tanto economica como estrategicamente.
Os estrategistas políticos de Sharon expressaram confiança na aprovação do Orçamento. Ele tem que ser aprovado até 31 de março, sob pena de derrubar o governo.
Parlamento israelense veta plebiscito sobre Gaza e ajuda Sharon
Segunda, 28 de Março de 2005 às 13:46, por: CdB