Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Parlamento francês discute Constituição da UE

Segunda, 28 de Fevereiro de 2005 às 06:51, por: CdB

Parlamentares franceses se reúnem em sessão extraordinária nesta segunda-feira para abrir caminho a uma votação nacional sobre a Constituição da União Européia, em meio a temores de que um escândalo envolvendo o luxuoso apartamento de um ministro possa virar arma da oposição ao tratado da UE.

Com todos os principais partidos apoiando mudanças na Constituição francesa antes do voto sobre o tratado da União Européia, o presidente Jacques Chirac está certo de que obterá os três quintos de maioria necessários em uma sessão conjunta do parlamento em Versalhes, nos arredores de Paris.

Após a votação, Chirac deve estabelecer uma data para um referendo nacional sobre a Constituição da UE, que pretende organizar o modo de decisão dentro da União Européia após a expansão do bloco, de 15 para 25 membros. O tratado deve ser ratificado por todos os países-membros e sua rejeição por um país importante como a França mergulharia a UE em crise.

Chirac, que estará presente a uma cúpula franco-polonesa na cidade de Arras durante a sessão de segunda-feira, vem pedindo aos votantes que apóiem o tratado. Ele disse a um ativista pelo "não" no sábado que seria "tremendamente estúpido" rejeitar a Constituição.

- Dê um tiro no seu próprio pé se quiser, mas não reclame depois - disse o presidente francês em um show agrícola.

Mas com o desemprego em um alto índice de 10% pelo quinto ano consecutivo e uma resistência disseminada às reformas econômicas do governo, o cenário parece favorável aos nacionalistas, comunistas e ativistas antiglobalização, opostos ao tratado.

E o escândalo sobre o luxuoso apartamento de um ministro - que custou o emprego de Hervé Gaymard na última sexta - feira apenas serviu para aumentar a sensação de mal-estar na campanha pelo "sim."

Uma pesquisa divulgada no Journal du Dimanche mostrou que 66% dos eleitores ficaram chocados pela revelação de que o governo estava pagando 14 mil euros por mês para manter Gaymard, sua mulher e seus oito filhos em um apartamento em um bairro chique de Paris.

Mesmo que Gaymard tenha sido substituído pelo chefe da Telecom, France Thierry Breton, analistas esperam que o escândalo faça vítimas, e o referendo da UE dá aos eleitores a oportunidade perfeita para punir um governo já bastante impopular.

- Mesmo se o escândalo não tiver repercussões imediatas, ele afetou profundamente a opinião pública e já foi gravado no hard disk da memória coletiva - escreveu o editorialista Jean-Claude Maurice no Journal du Dimanche.

- Não pode ser descartado e pode voltar como um bumerangue quando você menos espera - disse ainda.

Tags:
Edições digital e impressa