O Parlamento iraquiano concordou, nesta segunda-feira, em criar um comitê de propostas de mudanças constitucionais - parte importante do entendimento feito por facções para acabar com a paralisia política e evitar uma guerra civil no país. O novo sistema político do Iraque, patrocinado pelos Estados Unidos, está parado devido a disputas sobre emendas na Constituição e sobre a autonomia para o sul do Iraque, de maioria xiita e rico em petróleo. Além disso, a violência nas ruas vem crescendo desde a eleição de dezembro.
Romper o impasse era um teste crucial nos esforços do primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki de manter seu governo de união nacional, formado há quatro meses, no momento em que comandantes dos EUA temem mais violência no mês sagrado muçulmano do Ramadã.
- Acho que o acordo é como um presente dado pelo Parlamento ao povo iraquiano para o Ramadã. Qualquer discurso que possa ser considerado ofensivo e abrir qualquer outro tópico será proibido, hoje é como um casamento - disse o presidente da Casa, o sunita Mahmoud al-Mashhadani.
Sob o acordo fechado no domingo, a maioria xiita e a minoria sunita aceitaram criar um comitê constitucional e aprovar uma lei permitindo autonomia para regiões, e adiar a criação de qualquer região autônoma até pelo menos 2008. Os membros concordaram a princípio com a criação do comitê e vão nomear os integrantes na terça-feira. Serão 12 membros do bloco religioso xiita, que domina o governo, cinco de etnia curda, quatro do principal bloco árabe sunita, além de representantes de outros grupos.
Pressão
Mesmo assim, a sessão parlamentar foi turbulenta. Grupos curdos deixaram o plenário em protesto contra comentários feito por um político que acusou curdos de expulsarem árabes da cidade de Mosul, no norte do Iraque. Os curdos já têm autonomia no norte e muitos líderes árabes temem que queiram ampliar seu território pelo norte do Iraque, rico em petróleo. O acordo resolve temas políticos que foram deixados em aberto deliberadamente no ano passado, em esforço para convencer árabes sunitas a encerrarem a insurgência de três anos e aderirem ao processo político.
Partidos sunitas concordaram em participar da eleição de dezembro depois de promessas de que a constituição poderia ser mudada. O texto foi adotado por referendo em outubro. Os sunitas querem mais garantias para as minorias e controle central dos recursos do Iraque -- principalmente das reservas de petróleo, que formam a terceira maior do mundo. Muitos partidos xiitas querem avançar na implementação de uma região autônoma no sul. Os sunitas temem que a medida provoque desvio da maior parte da arrecadação de petróleo e divisão do país.
Sob o acordo de domingo, a lei que permite a criação de regiões autônomas pode ser aprovada e terá sua primeira apresentação na terça-feira. Mas a lei não vai entrar em vigência até 18 meses depois de sua aprovação. Sunitas ameaçaram boicotar o Parlamento se não houver acordo. A maioria dos xiitas do Iraque começou a celebrar o mês de jejum do Ramadã nesta segunda-feira, dois dias depois dos sunitas.
Autoridades dos EUA e do Iraque preveram, com base em experiência de anos anteriores, que o mês pode ter crescimento da violência, que vem matando cerca de 100 iraquianos por dia há meses. Nesta segunda-feira, morteiros e um caminhão-bomba atingiram um posto policial em Jurf al-Sakhar, pequena cidade ao sul de Bagdá. Fontes policiais disseram que três pessoas morreram e 10 ficaram feridas.
O Ramadã sunita começou no sábado com uma grande explosão de um caminhão-tanque em um bairro xiita de Bagdá, que matou pelo menos 34 pessoas. Militantes sunitas assumiram a responsabilidade pelo ataque e disseram que foi uma vingança contra esquadrões da morte xiitas. Os Estados Unidos estão concentrados os esforços de seus 147.000 soldados no Iraque para manter a paz em Bagdá. Em entrevista ao Washington Post, o presidente iraquiano, Jalal Talab