Parlamentares tentam acordo de última hora sobre dívida dos EUA
Por Andy Sullivan e Kim Dixon
WASHINGTON (Reuters) - Parlamentares norte-americanos abriram caminho na sexta-feira para uma tentativa de última hora em busca de um possível compromisso bipartidário a fim de evitar um calote nacional, apenas a quatro dias da data limite para elevar o teto da dívida dos Estados Unidos.
A Câmara dos Deputados, controlada pela oposição, aprovou o plano republicano de redução do déficit, enquanto o Senado, liderado pelos democratas, rapidamente rejeitou o projeto -- medidas que ressaltaram a divisão ideológica, mas que também abriram um caminho para começar a negociar um acordo.
As votações quebraram semanas de uma inércia política nos esforços para elevar o limite de endividamento do país, de 14,3 trilhões de dólares, até 2 de agosto ou então deixar a maior economia do mundo sem recursos para pagar suas contas, alega o governo.
Os atrasos tornam impossível para o Congresso aprovar um acordo e enviá-lo à mesa do presidente norte-americano, Barack Obama, até a décima primeira hora, aumentando o nível de incerteza nos já nervosos mercados financeiros. Mesmo que um acordo tardio seja fechado, os EUA correm o risco de perderem sua nota de crédito "AAA".
O progresso em direção a um acordo não parece iminente.
Assessores democratas disseram que os republicanos ainda não deram a eles sugestões sobre como elaborar algo que poderia ganhar o apoio de ambos os partidos, indicando que manobras parlamentares e acusações devem continuar.
Com o prazo final cada vez mais próximo, a Câmara aprovou o plano republicano por 218 votos a 210, após a liderança retrabalhar o projeto com o objetivo de vencer parlamentares conservadores contra aumentos de impostos dentro do próprio partido.
A legislação republicana, fortemente criticada por Obama, quem advertiu parlamentares a parar de perder tempo e encontrar uma maneira de "sair dessa bagunça", sempre esteve condenada a uma derrota no Senado, onde todos os democratas haviam prometido votar contra ela.
O Senado rejeitou a medida por 59 votos a 41, e se espera que o líder democrata na Casa, Harry Reid, avance com uma abordagem diferente a fim de obter os votos suficientes de ambos os partidos para aprovar um plano no Congresso antes de terça-feira.
O impasse se arrasta há semanas, com legisladores presos em um jogo de culpa que levou o país à beira de um calote sem precedentes, o que pode empurrar os EUA de volta a uma recessão e provocar turbulência econômica global.
Líderes mundiais estão atordoados com a disfunção em Washington. O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, disse na sexta-feira que os EUA estavam brincando com fogo.
Maior credora estrangeira dos Estados Unidos, a China tem repetidamente instado Washington a proteger seus investimentos em dólar, e sua agência de notícias estatal afirmou que os EUA haviam sido "sequestrados" por políticas "perigosamente irresponsáveis".
(Reportagem adicional de Rachelle Younglai, Donna Smith, Lily Kuo, Margaret Chadbourn, Laura MacInnis e de Tabassum Zakaria, em Washington; e de Karen Brettell, Steven C. Johnson e Jennifer Ablan, em Nova York)
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