Rio de Janeiro, 28 de Janeiro de 2026

Parlamentares comentam indiciamento de irmão de Lula

Terça, 05 de Junho de 2007 às 16:59, por: CdB

Após a notícia de que Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi indiciado por tráfico de influência, parlamentares comentaram a investigação da Polícia Federal e pediram esclarecimentos sobre o caso. A operação da Polícia Federal foi batizada de Xeque-Mate e busca desarticular uma quadrilha de tráfico de drogas, jogos ilegais e corrupção.

O presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que não cabe a ele fazer um pré-julgamento. Segundo ele, o fato do irmão do presidente ter sido citado é um atrativo.
 
- Acho que o Vavá é um cidadão brasileiro e eu o vejo dessa maneira. Qualquer vínculo partidário ou familiar, isso cabe a ele ou aqueles que tiverem qualquer tipo de vínculo político para resolver -, afirmou.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não comentou o caso. Já alguns senadores se manifestaram. Para o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), Vavá é um "brasileiro como outro qualquer".

- Nada me estranha. Não importa se é irmão do presidente ou não -, disse Salgado.
 
O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), disse que pretende levar o assunto a plenário. Segundo ele, é preciso investigar o assunto com serenidade.
 
- Estou impressionado -, afirmou.
 
Para o senador Delcídio Amaral (PT-MS), as informações ainda não estão completas sobre o caso.
 
- Mas é como o ministro da Justiça disse: a operação não vê parentes, nem partidos. Doa a quem doer -, observou.

Na Índia, o presidente Lula disse que não acredita no envolvimento do seu irmão com quadrilhas envolvidas na exploração ilegal de jogos de azar.
 
- Não acredito que o Vavá tenha qualquer envolvimento com qualquer coisa. Agora, como Presidente da República, tinha uma autorização judicial e o nome dele aparecia. Paciência, todos nós estaremos submetidos às investigações que sejam feitas para apurar qualquer delito cometido no Brasil. É preciso fazer esta distinção correta e esperar que haja apuração. Vamos aguardar -, disse.

Ontem, a operação prendeu 77 pessoas envolvidas em crimes como tráfico de drogas, corrupção e jogos ilegais em seis estados: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rondônia. A Operação Xeque-mate é resultado de dois inquéritos policiais que foram conduzidos pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Fazendários da Superintendência Regional da Polícia Federal no Mato Grosso do Sul.

De acordo com assessoria de imprensa da Polícia Federal, durante as investigações surgiram "alvos" comuns nos dois inquéritos e suas ações coincidiam nos atos criminosos dos grupos ligados à "máfia dos caça-níqueis". O primeiro inquérito policial tinha por objetivo apurar a prática de contrabando e descaminho de componentes eletrônicos para a utilização em máquinas caça-níqueis.

Ainda segundo assessoria, o segundo inquérito policial tinha como objetivo apurar a corrupção de policiais civis e seu possível envolvimento com tráfico de drogas no estado do Mato Grosso do Sul, mais especificamente no município de Três Lagoas (MS). Nas investigações constatou-se que sete policiais civis do município sul-matogrossense praticaram crime de corrupção passiva (cobrança e recebimento de "propinas" de criminosos), bem como o envolvimento destes policiais em outras modalidades criminosas, tais como comércio ilegal de armas de fogo e tortura.

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