Rio de Janeiro, 06 de Agosto de 2026

Parlamentares cobram uso racional de recursos hídricos

Segunda, 21 de Março de 2011 às 10:45, por: CdB

Câmara realiza sessão em homenagem ao Dia Mundial da Água.

Elton BomfimA Câmara realizou sessão solene em homenagem ao Dia Mundial da Água (22 de março).

Deputados defenderam nesta segunda-feira (21) a necessidade urgente de repensar o uso racional dos recursos hídricos como forma de garantir a continuidade da vida no planeta. Em sessão solene que celebrou o Dia Mundial da Água – comemorado oficialmente amanhã, 22 de março –, eles chamaram atenção para os principais problemas que o mau uso desse recurso pode causar, entre os quais fome e sede, decorrentes de uma escassez prolongada, e até possíveis guerras por disputas pela água como fonte de energia e para uso na agricultura.

Autor do requerimento para a realização da sessão, o deputado Izalci (PR-DF) ressaltou que o homem, mesmo sabendo que a água é imprescindível para a vida e que existe em quantidade limitada, continua gastando em demasia e contaminando mananciais. “A ação do homem é excessivamente perigosa, sobretudo porque ocorre em proporções gigantescas nas grandes cidades, onde consumimos muita energia, produzimos muita poluição e acumulamos muito lixo”, disse Izalci.

Ele lembrou que desde 1995 o Banco Mundial já alertava para a hipótese de conflitos internacionais ligados a disputas por água, e não mais por petróleo ou questões geopolíticas. “Hoje, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), já contabilizamos 250 milhões de pessoas em 26 países sofrendo por causa da escassez crônica de água”, afirmou. Segundo Izalci, apesar de o Brasil possuir cerca de 20% de toda a água potável do planeta, a distribuição do recurso não se dá de maneira uniforme em todo o território, o que, segundo ele, caracteriza um problema de gestão.

Gestão integrada das bacias
Também apontando deficiências no uso racional da água, o deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) observou que quase 80% dos recursos hídricos brasileiros estão concentrados nas bacias dos rios Amazonas, Araguaia-Tocantins, São Francisco, Paraná e Paranapanema. “É por isso que em nove regiões metropolitanas o Brasil vive no fio da navalha, torcendo para que não falte água na época das chuvas para que essa falta não provoque escassez durante o período de estiagem”, destacou o deputado, ao defender a gestão integrada das bacias.

Saneamento Básico
No entanto, Mendes Thame afirma que a escassez de água não é o único problema. Para ele, a falta de saneamento básico, que acaba contaminando manaciais, é uma questão tão grave quanto a própria escassez. “Hoje, 85% do esgoto doméstico brasileiro ainda são jogados nos rios, lagos e mares, sem tratamento. Não se trata, portanto, apenas de uma questão ambiental, e sim de saúde pública”, afirmou o deputado, destacando dados da Universidade Federal do Rio de Janeiro que mostram que cerca de 68% dos leitos de hospitais estão ocupados por pessoas que contraíram doenças transmitidas pela água.

Desastres naturais
O deputado João Maia (PR-RN) afirmou que outros problemas relacionados à má gestão decorrem do assoreamento dos rios e de construções em áreas consideradas de risco, que acabam transformando a água em fonte de tragédias. “Não me refiro aqui a tragédias como a do Japão, onde nada se podia fazer, mas às ocorridas na região serrana do Rio de Janeiro, em Recife, em Alagoas, no Paraná, em Minas Gerais, regiões onde a chuva, que deveria ser bem vinda, acabou provocando enchentes, desabamentos e mortes”, observou.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Regina Céli Assumpção
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