Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Parlamentar é executado e violência sobe de tom no Quênia

Homens armados executaram um político da oposição no Quênia em sua casa, na madrugada desta terça-feira. Recém-eleito, o parlamentar Melitus Were, do Movimento Democrático Laranja (MDL), foi baleado na cabeça quando se aproximava do portão da casa pouco depois da meia-noite. (Leia Mais)

Terça, 29 de Janeiro de 2008 às 09:34, por: CdB

Homens armados executaram um político da oposição no Quênia em sua casa, na madrugada desta terça-feira. Recém-eleito, o parlamentar Melitus Were, do Movimento Democrático Laranja (MDL), foi baleado na cabeça quando se aproximava do portão da casa pouco depois da meia-noite.

– Investigações iniciais apontam que foi assassinato – disse o porta-voz policial Eric Kiraithe.

O parlamentar era do mesmo partido do líder de oposição Raila Odinga, derrotado no pleito. Odinga acusa o presidente reeleito, Mwai Kibaki, de ter fraudado as eleições. Magabe Were é o primeiro político a ser morto durante a onda de violência que já tirou a vida de cerca de 800 pessoas em todo o país.

Execução sumária

De acordo com a polícia, Were chegava em casa de carro, quando dois homens atiraram contra ele.

– Não descartamos que o crime tenha tido motivação política – disse Kiraithe.

O deputado havia sido eleito para o Parlamento nas eleições legislativas de 27 de dezembro, ocorridas no mesmo dia da votação para presidente.

O porta-voz do ODM, Tony Gachoka, acusou o governo de envolvimento na morte do deputado.

– Todos os dedos apontam para o governo. E o governo terá de mostrar que não está envolvido – disse Gachoka.

O assassinato do parlamentar despertou a fúria de partidários da oposição, que se reuniram em várias cidades para protestar. A polícia usou gás lacrimogêneo e deu tiros para o alto para dispersar os manifestantes. Ainda nesta terça-feira, o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan deverá mediar um encontro entre oposição e governo para tentar pôr um fim à crise.

País dividido

A situação vem se deteriorando no Quênia desde o fim de semana, quando novos episódios de violência voltaram a ocorrer. Na segunda-feira, a polícia prendeu mais de 150 pessoas nas cidades de Naivasha e Nakuru acusadas de envolvimento nos choques que causaram a morte de dezenas de pessoas nos últimos dias.

Também nesta segunda-feira, centenas de pessoas foram às ruas de outra cidade, Kisumu, em protesto contra a violência do fim de semana. Lojas e veículos foram incendiados e barricadas erguidas nas ruas.

A violência se espalhou pelo país à medida que uma crise política que já dura um mês parece perder o controle. Segundo um repórter da agência inglesa de notícias Reuters, dois helicópteros militares abriram fogo contra uma multidão que ameaçava membros da tribo Luo abrigados em uma delegacia na cidade de Naivasha, no Vale do Rift. A oposição diz que houve fraude no pleito.

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