As famílias das vítimas dos ataques de 11 de setembro de 2001 estão pressionando o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, a parar de usar imagens do World Trade Center destruído em sua campanha à reeleição. Os anúncios têm o objetivo de mostrar Bush como um líder forte em situações extremas.
"Como um bombeiro que passou meses no Ponto Zero, é profundamente ofensivo ver a campanha de Bush usando essas imagens para faturar em cima da maior tragédia norte-americana da nossa época", disse o bombeiro nova-iorquino Tom Ryan.
Os anúncios começaram a ser veiculados pela TV em Estados decisivos para a eleição presidencial, em dois de novembro. Um deles mostra as ruínas do World Trade Center com uma bandeira dos EUA, e outro mostra os bombeiros retirando os restos mortais de uma vítima embrulhados em uma bandeira.
Os comerciais enfureceram muitos parentes das vítimas, que consideram inaceitável a politização do pior momento já vivido pelo país. A administração Bush defendeu os anúncios dizendo que eles são relevantes e "de bom gosto".
A campanha afirmou que não vai retirar a propaganda do ar, apesar das reclamações de familiares de vítimas, bombeiros e democratas. "Temos de deixar as pessoas reagirem como quiserem reagir", disse à CNN, em defesa do anúncio, o republicano Rudolph Giuliani, que era prefeito de Nova York quando os ataques ocorreram.
Entre os ultrajados está Bob McIlvaine, que perdeu o filho Bobby na destruição das torres gêmeas. "Meu filho foi assassinado em 11 de setembro", afirmou. "O argumento de que o uso de imagens das ruínas das torres para fomentar a carreira política de alguém é de 'bom gosto' tem de ser repudiado, e eu o condeno".
As últimas manifestações contra a campanha aconteceram numa entrevista à imprensa promovida pelas Famílias de 11 de Setembro por Amanhãs Pacíficos.
A nova-iorquina Debra Burlingame, cujo irmão Charles era o comandante do avião que foi jogado contra o Pentágono, disse que apóia a propaganda. "Ela é muito positiva", afirmou Burlingame, que é democrata.
O uso por Bush das imagens de 11 de setembro devem causar mais repúdio em Nova York, que é democrata por tradição. Os republicanos planejam realizar sua convenção ali, no fim de agosto, e alguns familiares das vítimas já prometeram protestar se Bush resolver ir visitar o Ponto Zero, que muitos encaram como um local sagrado.
A edição de sexta-feira do New York Times trouxe um editorial intitulado "11 de setembro e 2 de novembro", advertindo os políticos do uso eleitoral das fortes emoções geradas pelos ataques.
"Qualquer candidato que tente pegar carona nessas emoções merece ser repudiado pelo eleitorado", disse o Times. "Ao falar sobre o 11/9 em janeiro de 2003, o presidente Bush disse à Associated Press que 'não tinha nenhuma intenção de usar isso como uma questão política'. Aplaudimos esse sentimento."