Parentes de manifestantes mortos boicotam julgamento no Iêmen
SANAA/ÁDEN (Reuters) - As famílias das vítimas boicotaram o início do julgamento em Sanaa, no sábado, de 78 pessoas acusadas de matar 53 manifestantes durante um ato de protesto que exigia a renúncia do presidente iemenita, disse um advogado das famílias.
Apenas 27 reús estavam na corte para a sessão a portas fechadas. Nenhum dos principais suspeitos estava presente e os parentes das vítimas boicotaram o julgamento porque acreditam que ele esteja "limpando" os tiroteios, disse o advogado Abdul Rahman Berman à Reuters.
Horas antes do início do julgamento, a embaixada do Iêmen em Washington divulgou um comunicado dizendo que militantes da Al Qaeda estavam intensificando suas operações militares no sul do país, aproveitando a falta de segurança.
Os 53 manifestantes foram baleados por atiradores em um protesto pacífico na Universidade de Sanaa depois das orações de sexta-feira em 18 de março, em um dos incidentes mais violentos na capital este ano. A multidão exigia a saída do presidente Ali Abdullah Saleh, no cargo há 33 anos.
Berman disse que o Ministério do Interior facilitou as mortes ao retirar o pessoal da segurança que protegia o local do protesto pacífico.
As mortes levaram Saleh a declarar estado de emergência.
As manifestações no Iêmen foram inspiradas pelos levantes da "Primavera Árabe" em outras partes do mundo árabe por cidadãos ansiosos por substituir os governantes autocratas por governo democráticos e o Estado de direito.
"A corte promoveu uma sessão fechada onde eles (os réus) foram acusados pela morte dos manifestantes, 27 compareceram à corte e o restante foi acusado à revelia", afirmou Berman.
"Os principais suspeitos e mentores não foram levados e não estão sendo investigados", afirmou ele, acrescentado que as famílias das vítimas também exigiram que o comandante das forças especiais e o chefe da segurança também sejam investigados.
Reuters