Rio de Janeiro, 15 de Setembro de 2026

Parceiros do Mercosul deixam Lula sozinho em reunião de cúpula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será o único chefe de Estado do Mercosul a comparecer à solenidade de fundação da Comunidade Sul-Americana de Nações, evento que marca a união política entre 12 países da região. (Leia Mais)

Terça, 07 de Dezembro de 2004 às 17:53, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será o único chefe de Estado do Mercosul a comparecer à solenidade de fundação da Comunidade Sul-Americana de Nações, evento que marca a união política entre 12 países da região.

A notícia de que o Paraguai e o Uruguai engordaram a lista, já composta pela Argentina, de países que não enviarão seus presidentes à reunião de cúpula, deve provocar um constrangimento diplomático ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defensor não apenas do bloco mas também do empenho para estreitar os laços entre a América do Sul e a América Latina no cenário internacional.

O ato oficial de criação da Comunidade, composta, ainda, pelos países andinos Bolívia, Equador, Peru, Venezuela e Colômbia, além do Chile, Guiana e Suriname, está marcado para esta quarta-feira no centro histórico de Cuzco, no Peru, a 150 quilômetros da cidade sagrada de Machu Picchu.

A ausência dos três países, que compõem junto com o Brasil o principal bloco econômico da região, tende gerar um clima de esvaziamento dentro do fórum, pode arranhar o entusiasmo do presidente brasileiro com o Mercosul e fortalecer, por outro lado, o sentimento de que o novo grupo será mais um ambiente internacional de debates com poucos resultados práticos.

PARCEIROS DESERTORES

Argentina, Paraguai e Uruguai desistiram de participar do encontro depois que Lula já havia confirmado sua presença. Nesta reunião de cúpula, o presidente brasileiro fará um papel de cavaleiro solitário e será cobrado por líderes de outros países pela ausência de seus parceiros.

O ministro das Relações Exteriores do Peru, Manuel Rodriguez Cuadros, negou algum tipo de constrangimento político e não considerou que o evento esteja desprestigiado pelos faltosos.

"Os presidentes da Argentina (Nestor Kirchner) e do Uruguai (Jorge Batlle) não vêm por razões de saúde e o outro caso esta para confirmar", disse o chanceler, argumentado que esta não é a primeira vez em que o mandatário argentino não comparece a eventos de cúpula.

Kirchner afirmou na semana passada que não estaria presente à reunião de Cuzco por recomendações médicas, já que a cidade peruana, antiga capital do extinto império Inca, está a mais de 3 mil metros acima do nível do mar, o que poderia provocar-lhe tontura. À imprensa, porém, o líder argentino foi mais objetivo: declarou que só vai a reuniões "importantes" para seu país.

Os presidentes do Uruguai e Paraguai alegaram problemas internos em seus respectivos países.

O novo grupo sul-americano, espelhado na União Européia e inspirado no sonho de integração regional do líder Simon Bolívar, será instituído por meio de um ato de fundação, mas não contará, num primeiro momento, com estrutura fixa e orçamento próprio.

O primeiro passo da recém-criada comunidade será inaugurar uma mesa de diálogo para dar consistência à proposta de integração e tentar formular um pacto ambicioso de apoio mútuo, principalmente nas áreas de infra-estrutura.

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