Como tinha dito semana passada fiz uma curta viagem para o Rio de Janeiro. Fiquei três noites em Paraty e mais três na Ilha Grande. Vamos começar por Paraty.
Paraty é uma cidade única. A maré, no fim da tarde, invade as ruas, não se sabe onde termina a cidade e começa o mar ou vice-versa. Aconselho a ficar três noites. Saia cedo do Rio de Janeiro (260 km) e almoce no Lê Gite D` Indaiatiba. Essa pousada restaurante fica no alto da montanha na entrada para Graúna. É de uma mineira com um francês. Além da vista maravilhosa e do ambiente muito agradável é servida uma comida bem cuidada que justifica a ida.
Comece provando os pães e a caipirinha de pitanga que é colhida no pé e feita com a cachaça Maria Isabel, que segundo a proprietária e chef da pousada é uma autêntica cachaça de mulher, vez que todo o processo de produção, desde o plantio até o envase é feito pela dona do alambique. Peça os raviólis de taioba, esse no meu entender foi o melhor prato servido. Dê um mergulho na piscina de água corrente natural enquanto aguarda o prato principal o qual sugiro os camarões picantes. Vou ser sincero, não pedi sobremesa, apesar das insistências para que provasse a tarte tatin, preferi mais uma caipirinha.
Mais 12 km chega-se em Paraty, fiquei na Pousada Pardieiro, devido a um costume, o atendimento é muito atencioso, o café da manhã ótimo e a cama maior que king size. É bom que se diga que a pousada está precisando de cuidados. Ah, eu ia esquecendo, tanto na Ilha Grande quanto em Paraty não tivemos acesso à televisão, o que foi uma maravilha.
Reserve no hotel o barco para o passeio do dia seguinte e os ingressos para a peça de bonecos. O barco do hotel o Nativo é ótimo, maior que a média e o marinheiro é de uma atenção ímpar. Descanse.
Para jantar aconselho os seguintes restaurantes: Refúgio, peça os mexilhões de entrada e o camarão com arroz branco, salsa e bastante alho. Há dez anos que eu vou a Paraty e sempre como esse prato de camarões que continua exatamente igual. Tem o Banana da Terra que eu não conhecia e, atualmente, é o mais procurado por causa da chef e proprietáaria Ana Bueno. Aconselho o camarão casadinho de entrada. Por sugestão da pousada fui ao restaurante Porto, que foi uma grata surpresa. Todas as noites tem apresentação de contrabaixo e piano, na medida perfeita. A comida é boa, mas a noite foi perfeita.
Como disse, faça o passeio de barco e peça para almoçar na Ilha Catimbau. Mais uma vez peça a capirinha de pitanga (que também é ali colhida) e os camarões na chapa. No dia, o polvo ficou muito ressecado. Interessante dessa região é que você pode ter a visão mais próxima do que o português teve ao encontrar a costa brasileira. São inúmeros os trechos que você só enxerga do barco a montanha, mata e o mar, com o seu tom verde esmeralda.
No mais vale flanar pela cidade no entardecer e após o jantar e saborear um café e uma cachaça da região, observando o vai-vem das ruas e o casario histórico iluminado. Detalhe importante, o calçamento é original, portanto todo irregular. Assim, esqueça sapato de salto ou outro desconfortável.
Até semana que vem com a Ilha Grande, uma inusitada surpresa.
Flavio Vitari é chef de cozinha e colunista do Correio do Brasil
www.flaviovitari.com.br