Por Se invejas o meu viver procure trabalhar 30/06/2011 às 17:58
A fortuna do capitalista não deriva do seu trabalho mas do trabalho dos seus empregados. Portanto, o capitalista é um parasita social, que acumula sua riqueza às custas do trabalho alheio.
Essa verdade inegável e irrefutável, segundo a qual o operário não vive às custas do seu próprio trabalho, é reconhecida por todos.
Mas há algum tempo o Pedro Mundim vem tentando provar não só os capitalistas, mas todos os membros da sociedade, que são parasitas sociais.
O comentário abaixo transcrito é uma dessas tentativas:
""Esse não é o caso dos capitalistas, eles sempre devolvem menos do que tiraram. A sua riqueza não é fruto de seu trabalho pessoal, mas da expropriação dos trabalhadores" - Você diz, os capitalistas TIRARAM. O que permite supor que a riqueza amealhada por eles, já estava prontinha, guardada em algum lugar, até que eles foram lá e tiraram, né? Mais uma vez a concepção de riqueza como os bombons em uma caixa. A riqueza não é tirada de uma caixa, mas produzida todo dia mediante o trabalho de milhões de pessoas. A distribuição desigual dos resultados do trabalho resulta da complexidade inerente aos modos de produção existentes, que não permitem uma divisão do trabalho em partes igualmente penosas ou agradáveis - algumas tarefas são mais importantes, e agregam maior poder de barganha àquele que a executa. Sempre haverão dirigentes e executores, e os dirigentes recebem o nome de patrão sob o regime capitalista, comissário sob o regime comunista ou membro do conselho sob o regime de auto-gestão, mas sempre vivem melhor que os outros.
Nenhuma riqueza é fruto de trabalho pessoal, a menos que você decida viver em uma caverna, plantar o que come e costurar suas próprias roupas. Vivendo em sociedade, vivemos do trabalho alheio, que é comprado por nós a cada vez que tiramos dinheiro da carteira. O capitalista não expropria o trabalhador, ele compra o seu trabalho, e essa compra é legítima, pois o trabalhador, sendo proprietário de sua força de trabalho, tem o direito de vendê-la a um empregador. Eu, como tantos milhões, vivo da venda de minha força de trabalho. O capitalista não: ele trabalha, mas não vende o seu trabalho a um empregador; ele trabalha para si mesmo, e o trabalho que não pode ou não quer executar, ele compra de outros. Não há nada de anormal ou imoral nisso."
http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2011/06/493117.shtml
Agora ( pasmem! ) o Janos Biro se juntou ao Pedro Mundim, na tentativa de justificar o parasitismo social da burguesia, dizendo que todos são parasitas sociais, e se todos são parasitas sociais esse parasitismo acaba sendo, no final das contas, uma simbiosa. Mas não é verdade, pois há sempre excedente. Sem uns trabalham, produzem e consomem além da conta, outros acabam trabalhando de menos, não trabalhando de forma nenhuma, produzindo pouco ou não produzindo nada e consumindo em demasia. Ele postou o comentário abaixo:
"Trabalho e salário
Janos Biro 28/06/2011 13:55
Acho que eu não disse nada que contrarie o que você acabou de dizer. Você tem que se lembrar que não está discutindo com um liberal. Eu sei que o poder de consumo do trabalhador não pode nem sequer se igualar ao valor do que ele produz, senão eu não concordaria com a mais-valia. Por mais que existam meios de esconder essa expropriação, no fundo a relação entre patrão e empregado é uma relação de poder em que um rouba do outro, mesmo que dentro de parâmetros definidos pela lei, e mesmo quando o salário é "justo". É claro que o patrão não vive do próprio trabalho, mas a verdade é que ninguém vive do próprio trabalho. Está tudo misturado numa interdependência.
Porém, penso que você ainda está pensando num modelo mais clássico de capitalismo. Não que as coisas tenham melhorado. Elas pioraram, mas o importante é que elas mudaram. E o que eu estava falando é justamente sobre todos esses meios alternativos de aumentar o lucro e ao mesmo tempo elevar o consumo, o que não significa que o poder de consumo cresce, mas sim que há muito mais coisas inúteis para consumir. Ao mesmo tempo que as classes baixas consomem mais coisa inúteis, cria-se agora as pessoas inabilitadas sequer para vender a si mesmas. As pessoas sem classe."
http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2011/06/493104.shtml
O trabalhador não só vive às custas do seu próprio trabalho como ainda sustenta os parasitas sociais. Ele não parasita ninguém, ao contrário, é parasitado. O que acontece é que o Pedro Mundim e o Janos Biro estão confundindo divisão do trabalho com parasitismo social. Cada operário recebe do total da produção social seus meios de subsistência mas ele contribui com seu trabalho para essa produção. O capitalista não contribui com a produção social, quando acontece de ele trabalhar e produzir, o resultado da sua produção é sempre menor do que o seu consumo.
O Janos Biro encontrou uma forma muito sutil e inteligente de defender o status quo. Ele se diz contra o capitalismo mas se posiciona contra e desqualifica tudo que possa acabar com a exploração do homem pelo próprio homem.
E o Janos ainda diz que não é um liberal. Imaginem se fosse.