Governador do Paraná, Roberto Requião disse nesta quinta-feira que todas as medidas tomadas por seu governo, nos 22 dias de dúvidas sobre a existência de focos de febre aftosa no Estado, atenderam às exigências internacionais. Segundo Requião, o Paraná recebeu gado de Mato Grosso do Sul em uma feira no município de Londrina e não poderia expor o Brasil a um acidente dessa proporção.
Requião culpou o Laboratório Nacional da Agricultura (Lanagro), em Belém, por "todo o transtorno, todo o prejuízo do Estado" - que ainda está sendo calculado pelo Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura.
- (O laboratório) não tinha condições de realizar os exames, de isolar os vírus e completar os testes em tempo hábil. Por isso demorou tanto para divulgar os resultados - afirmou o governador.
No entanto, os novos laudos recebidos pelo Ministério da Agricultura mostram que não foi identificada a existência do vírus da febre aftosa nos animais que tiveram examinadas amostras colhidas em propriedades de quatro cidades paranaenses. Ainda assim, o ministério prefere não se posicionar oficialmente sobre os laudos enviados pelo Lanagro porque os dados não são conclusivos e não se sabe se está descartada a realização de novos exames. A expectativa é de que um relatório oficial sobre a doença no Paraná seja divulgado ainda hoje.
O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, porém, já havia alertado nos últimos dias para a possibilidade de a doença não existir no Paraná. Ele, inclusive, mostrou preocupação com a possibilidade de os laudos serem negativos porque isso poderia gerar problemas de credibilidade ao Brasil.
- Estamos quase que procurando a febre aftosa. É politicamente mais fácil explicar que era um foco de aftosa do que dizer que era um sintoma não confirmado de aftosa, o que trará um problema de credibilidade - disse ele em audiência no Congresso na última terça-feira.
Os resultados dos testes feitos no Lanagro demoraram até a tarde desta quarta-feira para chegar ao ministério. Em Eldorado, onde foi detectado o primeiro foco de Mato Grosso do Sul, o intervalo entre a suspeita da doença e o resultado do exame que identificou o vírus tipo O foi de oito dias. As amostras foram enviadas ao Lanagro enquanto a Secretaria de Agricultura realizava exames sorológicos (no sangue), que não descartaram a possibilidade de existência da doença.
Reflexo
Os preços de alimentos avançaram 0,27 em outubro, interrompendo quatro meses de queda. Em setembro, esses preços recuaram 0,25%. A carne bovina subiu 4,20% e contribuiu com 0,11 ponto percentual para o índice do mês. O frango aumentou 3,90%.
- Em setembro, quando surgiram notícias de aftosa, as carnes começaram a subir. Junto com a entressafra, há agora uma força negativa... a aftosa tem influência através da desorganização do setor - disse Eulina Nunes, técnica do IBGE.
O frango acompanhou a alta porque "com medo, as pessoas trocam a carne pelo frango", acrescentou Eulina.