Rio de Janeiro, 19 de Setembro de 2026

Paralisação nos EUA gera consequências inusitadas ao redor do mundo

Sábado, 05 de Outubro de 2013 às 02:16, por: CdB
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O cemitério de Colleville-sur-Mer, na praia de Omaha (onde estão enterrados os dois filhos do ex-presidente Theodore Roosevelt's), geralmente visitado por veteranos e seus familiares, está fechado há uma semana
Democratas e republicanos, no Congresso dos EUA, não conseguiram chegar a um acordo sobre o orçamento para os próximos 12 meses e, como consequência, 800 mil servidores públicos federais foram colocados em licença sem remuneração. Mas a paralisação, em Washington, começa a ser percebida até nos mais longínquos rincões do país e no exterior, onde todas as representações diplomáticas foram encerradas, por tempo ilimitado. O impasse gera, muitas vezes, situação das formas mais inusitadas. Apenas um funcionário monitora a fronteira com o Canadá São 8.891 quilômetros de fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá e cerca de 8 mil marcos ao longo da divisa. Manter tudo em ordem é tarefa de oito funcionários fronteiriços. Desde terça-feira, no entanto, sete deles foram dispensados e apenas um está na ativa. A poda de árvore e a limpeza da fronteira fica a cargo de duas equipes que, por ora, continuam trabalhando, até que o dinheiro acabe. Cemitérios fecham ao redor do mundo Cerca de 125 mil soldados norte-americanos morreram em campos de batalha pelo mundo, a maioria nas duas guerras mundiais. Grande parte está enterrada em 24 cemitérios em vários países, 20 deles na Europa. Desde terça-feira, todos estão fechados, segundo a Comissão de Monumentos de Batalha dos Estados Unidos. – É uma grande vergonha. Muitos viajam até esses países para ter talvez a única chance em suas vidas de homenagear seus companheiros e entes queridos – diz Perry Jefferies, da organização de veteranos TexVet. Sanções contra o Irã A subsecretária de Estado para assuntos políticos, Wendy Sherman, disse que a capacidade de fiscalizar a aplicação de sanções econômicas contra o Irã diminuiu sensivelmente. Segundo ela, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, órgão do Tesouro norte-americano responsável por fiscalizar tais sanções, foi "enxugado totalmente". Corrida pela carne O supermercado da base militar de Fort Campbell, no Estado de Kentucky, ficou cheio na segunda-feira, enquanto parlamentares ainda tentavam chegar a um acordo em Washington. Os clientes enchiam carrinhos com pacotes de carne, mais barata no local, antes que o impasse no orçamento forçasse o fechamento temporário do supermercado. O supermercado mais próximo, e com preços mais salgados, fica a quase dois quilômetros dali. Aquela corrida para a qual você treinou tanto… Os mais de 200 velocistas de elite que iriam participar da corrida de Grindstone tiveram os planos frustrados. O evento foi suspenso já que boa parte dos mais de 150 quilômetros da prova estão dentro de um parque nacional, agora fechado. – É muito decepcionante", diz o diretor do evento, Clark Zealand. Ele diz que muitos atletas treinaram quase um ano "por nada". Mesmo que seja remarcada, muitos já não vão correr – diz. James Bond 'bombando' Com todos os museus da fundação Smithsonian fechados na capital, Washington, turistas e funcionários federais dispensados (agora com tempo de sobra) tiveram de apelar a outras atrações. Lucraram lugares como o International Spy Museum, que teve um aumento de 30% de visitantes para a mostra sobre James Bond. Ironicamente, outros museus como o Newseum, o Phillips Collection, o National Geographic Museum e o National Building Museum também se beneficiaram. Almoço grátis Cafés e restaurantes estão oferecendo descontos e até refeições grátis para alguns dos 800 mil funcionários federais dispensados nesta semana. Em Saint Louis, no Missouri, o restaurante Sugarfire Smoke House até criou um lanche especial, o Government Shutdown Sandwich (O sanduíche do apagão do governo, em tradução livre). Com as opções de carne e peru defumado, com alface, tomate e picles, os sanduíches foram distribuídos de graça aos clientes que são funcionários públicos federais. – Fico chateado que tenham sido dispensados porque não conseguiram um acordo (em Washington). Distribuímos 50 sanduíches ontem e 100 hoje. Se eu der mil, não me importo. Nem que eu perca um pouco de dinheiro… Eu abri (o restaurante) há um ano e tem sido um bom ano – disse o dono, Mike Johson. Iniciativas similares se multiplicaram em outras partes dos Estados Unidos, especialmente em Washington. Camisetas satíricas Poucas horas após o impasse, um empresário de Des Moines, em Iowa, usou a crise para faturar. Ele estampou várias camisetas satirizando a paralisação. "Paralisação 2013 - sem produtividade, sem piedade", diz a camiseta. O empresário Mike Draper disse que se a crise durar muito tempo, ele vai lançar outra versão: "Eu sobrevivi à paralisação".
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