Em greve por tempo indeterminado, os ferroviários do Rio de Janeiro pedem um aumento real de 7% e mais 13% de reposição das perdas no período de 2002 a 2005, o que somaria um reajuste de cerca de R$ 300.
De acordo com o diretor de base do Sindicato dos Ferroviários,
Antônio Carlos Cunha, quase 95% dos 2.300 funcionários cruzaram os braços hoje, o que está prejudicando o funcionamento dos trens na cidade.
Segundo Cunha, a empresa 'está pressionando os funcionários que estão trabalhando hoje a não deixarem suas funções, por isso a adesão à greve não é de 100%.
Ele contou que há profissionais que teriam que ter encerrado sua carga horária às 7h de hoje, já que trabalham desde às 19h de ontem, mas estão em serviço por força maior.
- Isso põe em risco a vida dos passageiros e a dos funcionários - afirmou o diretor.
Além disso, o diretor da Associação de Maquinistas informou também que há fiscais de tração operando na função de maquinistas, devido à carência de profissionais dessa área.
A situação é agravada porque, segundo Cunha, estas pessoas não estão com o laudo médico em dia, o que atestaria as boas condições de saúde para o trabalho.
Outra reivindicação dos funcionários da Supervia são melhores condições de trabalho. Segundo Antônio Carlos Cunha, eles pedem ainda que o valor do ticket-refeição de R$ 8 seja aumentado para R$ 15 (com 30 folhas no talão).
A companhia de trens ofereceu um reajuste para R$ 9 apenas em março de 2006, o que não foi aceito pela categoria.
A Supervia também propôs, segundo o diretor do sindicato, um aumento geral dos salários de 4% em setembro, 4% em novembro e 2% em fevereiro de 2006.
- Queremos uma proposta viável - definiu o representante dos ferroviários.
O funcionamento dos trens no Rio está confuso devido à paralisação. De acordo com a Supervia, os ramais de Belford Roxo e Santa Cruz não estão operando nesta quinta-feira.
Já os ramais de Japeri e Saracuruna operam com intervalos de até 1h30, de acordo com informações do sindicato.
No ramal de Deodoro, os intervalos também são de 30 minutos, mas os trens só estão parando nas estações onde pode ser feita a transferência de composição.