Rio de Janeiro, 03 de Novembro de 2026

Paraguai vai às urnas para eleger presidente

Dois milhões e oitocentos mil eleitores paraguaios poderão ir às urnas neste domingo para escolher o sucessor do atual presidente Nicanor Duarte Frutos, do Partido Colorado, sigla que comanda o país há 61 anos ininterruptos.

Domingo, 20 de Abril de 2008 às 07:26, por: CdB

Dois milhões e oitocentos mil eleitores paraguaios poderão ir às urnas neste domingo para escolher o sucessor do atual presidente Nicanor Duarte Frutos, do Partido Colorado, sigla que comanda o país há 61 anos ininterruptos.

Os paraguaios escolherão entre quatro presidenciáveis: Blanca Ovelar, candidata governista, Fernando Lugo, ex-bispo católico da Aliança Patriótica para a Mudança (APC, na sigla em espanhol), o general da reserva Lino César Oviedo, do UNACE (União Nacional de Cidadãos Éticos), e Pedro Fadul, da coligação Patria Querida.

O pleito de domingo também decidirá governadores, senadores e deputados, num total de mais de 700 cargos.

Desemprego

O próximo presidente terá desafios econômicos e sociais de peso neste país de seis milhões de habitantes. Após cinco anos de governo, Nicanor Duarte Frutos entregará a seu sucessor, no dia 15 de agosto, um país com altas taxas de crescimento – 4,5% por ano em média neste período – mas com elevados índices de pobreza, indigência e desemprego. Os três indicadores são hoje iguais ou piores do que na época de estancamento econômico do país (1982-2002).

Em 2002, em plena crise econômica após declaração de moratória da dívida pública, e um ano antes da eleição de Duarte Frutos, o desemprego no país era de 16,4%. No ano passado, o índice havia caído para 8,5%. Apesar da melhora, os dados de subemprego (que incluem trabalhadores informais e os que trabalham poucas horas) preocupam.

O índice de subempregados passou de 24%, em 2002, para 26,5%, no ano passado, de acordo com dados oficiais da Secretaria Técnica de Planejamento do país.

- No Paraguai, quatro em cada dez pessoas são pobres, e dois em cada dez vivem na indigência. Oitenta por cento dos que trabalham recebem menos do que um salário mínimo (1,4 milhão de guaranis ou cerca de US$ 280) - diz o economista Dionisio Borda, ex-ministro da Economia do atual governo, professor da Universidade Nacional e diretor do Centro de Análises e Difusão da Economia Paraguaia (Cadep).

Diante da falta de oportunidades, também segundo dados oficiais, sessenta mil paraguaios deixaram o país no ano passado – um índice recorde na era democrática, que começou em 1993.

O Paraguai é o quarto exportador de soja do planeta e dono de uma das principais reservas energéticas do mundo, mas a falta de oportunidades intensificou essa saída de paraguaios que deixam o país em busca de melhores horizontes.

- A economia cresce empurrada pelas exportações da soja e da carne, mas não porque alguma coisa tenha sido melhorada internamente - disse Borda.

Para os distraídos existe uma imagem de bem-estar, com pessoas usando celulares e comprando mais eletrodomésticos, mas isso está sendo possível pelas remessas enviadas por seus familiares do exterior. Entre os próximos desafios do novo presidente estão o alto nível de corrupção no país e a desconfiança dos paraguaios nas instituições.

Colorado

Fundada em 1887 e há mais de 60 anos ocupando a Presidência da República do Paraguai, a Associação Nacional Republicana (ANR) - o Partido Colorado - “é como uma religião laica do patriotismo”, segundo o presidente do partido, José Alberto Alderete. Para ele, esse é o motivo pelo qual os filiados se chamam mutuamente de correligionários e correligionárias.

O economista Fernando Masi que não é colorado e que vê o partido “quase como uma seita religiosa fundamentalista”. De acordo com Masi, que trabalhou por dois anos na equipe do Ministério da Fazenda, no início do governo de Nicanor Duarte, praticamente todos os funcionários públicos são filiado ao partido, e os que se afastam são considerado traidores e podem sofrer penalidades por isso.

Nas ruas de Assunção, capital do país, já se pode ver colorados que preferem votar no candidato apoiado pelo Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), Fernando Lugo, “pela mudança”. É o

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