O Paraguai retomou na segunda-feira as inspeções migratórias de trabalhadores brasileiros em Ciudad del Este, em meio a um conflito pela intensificação dos controles alfandegários na região da fronteira com Foz do Iguaçu.
Mais de cem brasileiros que trabalham no Paraguai foram expulsos pelas autoridades migratórias depois de ficar provado que eles residiam em Foz, segundo a mídia local.
Os controles migratórios começaram na semana passada, em resposta à operação brasileira que visa a frear o contrabando de mercadorias através da ponte da Amizade, que une os dois países. As inspeções foram interrompidas durante os feriados da Semana Santa e retomadas na segunda-feira.
Calcula-se que cerca de 10 mil brasileiros cruzam diariamente os limites da chamada Tríplice Fronteira, conhecida pelo contrabando e pela falsificação de marcas e apontada pelos Estados Unidos como possível reduto de financiamento a atividades terroristas.
A Direção Geral de Migrações do Paraguai começou por sua vez uma revisão das autorizações de admissão permanente outorgadas no passado a brasileiros residentes em Ciudad del Este, pois considera que muitos desses documentos foram emitidos de forma irregular.
A intensificação dos controles no Brasil provocou prejuízos de cerca de 11 milhões de dólares, que o Paraguai deixou de receber em impostos alfandegários, segundo as autoridades locais.
A chancelaria paraguaia pediu ao Brasil a agilização do trânsito na ponte e o aumento da cota de compras para turistas de 150 para 500 dólares em Ciudad del Este, a antiga Puerto Presidente Stroessner, que é o principal centro comercial do país.
As autoridades esperam uma resposta no dia 31 de março, quando haverá uma reunião bilateral de nível técnico em Assunção.