Em ano eleitoral, a Parada Gay de São Paulo entra no clima e, com música, colorido, e alto astral, pede que lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais votem em candidatos que defendam o combate à homofobia. Com o tema "Vote contra a homofobia - defenda a cidadania!", o evento deve reunir 3,2 milhões de pessoas neste domingo, segundo a prefeitura da capital paulista.
"Votar contra a homofobia é dizer um basta a imposições de uma classe conservadora, que defende valores arcaicos, baseados unicamente em interesses próprios e sem visão democrática", afirmou o presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais), Alexandre Santos.
Os participantes da parada prometem não suavizar nas frases para reivindicar seus direitos. Segundo o coordenador do Mês do Orgulho LGBT de São Paulo, Manoel Zanini, o evento será "preto no branco". "A Parada sempre teve caráter político, desde a sua primeira edição, quando ainda discutíamos se iríamos apanhar na rua com a nossa manifestação. Já passamos da fase da invisibilidade. Hoje, somos vistos mas não somos reconhecidos", enfatizou Zanini.
Neste ano em sua 14ª edição, a Parada Gay teve seu percurso diminuído, mas a verba destinada pela prefeitura ao evento aumentou em relação ao ano passado, quando 3,1 milhões de pessoas participaram. A concentração está marcada para às 12h no Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, uma das mais importantes da capital. Os participantes sairão em direção à Rua da Consolação, em direção ao Centro, finalizando a caminhada junto à Praça Roosevelt. Em anos anteriores, a parada acabou no Largo do Arouche.
Os recursos da prefeitura chegam a R$ 1 milhão, segundo a Associação da Parada do Orgulho GLBT (APOGLBT), contra R$ 600 mil em 2009. Já a APOGLBT afirma ter investido R$ 780 mil na organização do evento.
A multidão será animada por 17 trios elétricos saindo da Avenida Brigadeiro Luiz Antônio em direção à Consolação, ao longo de 3,5 km. Os turistas que vieram para a capital paulista devem deixar cerca de R$ 190 milhões para a economia do município, segundo o Observatório do Turismo da cidade de São Paulo, comprovando que o turismo GLS é um segmento que cresce no mundo. Os hotéis da Avenida Paulista estão lotados. Até esta sexta-feira, 400 mil turistas já estavam na cidade.
Para dar atenção aos turistas estrangeiros, a Polícia Militar disponibilizou um grupo de PMs que falam inglês, alemão, japonês, francês e espanhol. Os policias bilingues serão identificados por usarem bandeiras dos países da língua que falam. A Polícia Militar disponibilizou 1.300 homens e a Polícia Civil cem para a segurança do evento. Já a Guarda Civil Metropolitana terá um efetivo de 700 agentes na parada.
Os trabalhos começarão às 6h, com a vistoria dos trios elétricos pelo Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran) e pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Por volta das 9h, os policiais se posicionarão no percurso. Um helicóptero com uma câmera de alta resolução que grava e transmite imagens para postos de comando ajudará na ação. Um posto móvel da Delegacia Especializada no Atendimento ao Turista será montado na Rua da Consolação.
As ruas serão monitoradas por câmeras de segurança. Algumas foram especialmente instaladas para cobrir a região onde atos violentos aconteceram no ano passado, quando mais de 40 pessoas ficaram feridas e uma morreu após o evento. Os feridos foram vítimas de uma bomba caseira jogada do alto de um prédio por um grupo neonazista identificado como Impacto Hooligan na Rua Vieira de Carvalho. Sete integrantes do bando foram presos e dois adolescentes identificados. Já na Praça da República, o cozinheiro Marcelo Campos Barros, de 35 anos, que não havia participado da parada e apenas passava no local, morreu ao ser agredido.
Segundo a APOGLBT, na parada e também nos outros eventos do orgulho GLBT deste mês em São Paulo, o número de preservativos distribuídos deve chegar a um milhão.