O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), disse nesta quinta-feira que a saída do PTB do bloco de apoio ao governo não vai prejudicar a votação da emenda que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Com a saída do bloco, o PTB liberou seus senadores para votarem como desejarem.
— É um ato natural. Sair do bloco não quer dizer sair do governo —, disse Tião Viana, acrescentando que a decisão não tem vínculo com a CPMF.
— Foi um ato de insatisfação com o relacionamento entre os partidos da base. Como a base está um pouco fragilizada, qualquer tipo de atrito político pequeno gera a idéia de conflito —, acrescentou.
Dos sete senadores do PTB, apenas Mozarildo Cavalcanti (RR) já anunciou que votará contra a prorrogação do imposto. A oposição conta com o voto dele para ajudar a derrubar a CPMF no Plenário do Senado.
Na próxima terça-feira, o DEM e o PSDB se reunirão para fazer as contas.
— Acreditamos que hoje temos 35 votos. Temos, com folga, condições de derrubar a pretensão do governo quanto à CPMF —, disse o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
Para aprovar a emenda constitucional que prorroga a CPMF até 2011, são precisos os votos de 49 dos 41 senadores. Caso a oposição conte, realmente, com 35 votos, sobrarão 46 votos para o governo, três votos a menos que o necessário, sem contar as possíveis abstenções.
Depois da reunião da próxima semana, caso fique confirmado que a oposição tem o número de votos para derrubar a prorrogação da CPMF, Demóstenes disse que haverá a tentativa de antecipar a votação em Plenário.
O argumento da oposição, segundo ainda o senador do DEM, é que como há uma grande possibilidade de o presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ser absolvido em plenário da acusação de quebra de decoro parlamentar, a imagem da Casa precisará ser recuperada, e derrubar a CPMF seria uma forma de recuperar essa imagem.
O presidente interino do Senado, Tião Viana, acredita, no entanto, que as negociações com o PSDB ainda podem acontecer para que o governo garanta os votos necessários para aprovação da CPMF.
— Estamos no meio de uma disputa política. O único que, de fato, demarcou um campo ideológico foi o Democratas. O PSDB está dividido, e todo ambiente ainda é para negociação —, afirmou.
Para Tião Viana saída do PTB não afetará votação da CPMF
Quinta, 22 de Novembro de 2007 às 14:00, por: CdB