O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse nesta quarta-feira que para o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir pela extradição do italiano Cesare Battisti terá que mudar de posição. De acordo com Tarso, pelo menos em quatro casos anteriores semelhantes a Corte não concedeu extradição.
– Temos que respeitar o Supremo seja qual for sua decisão, tanto a favor quanto contra o nosso [do governo brasileiro] ponto de vista. Para que Battisti tenha negado seu refúgio, o Supremo tem que mudar de posição em decisões que já houve escore de nove a um. Se mudar, mudou, mas jamais vou poder ser apontado como quem decidiu contra decisões anteriores do Supremo – disse o ministro.
Ele afirmou que na quinta-feira vai ao Senado falar sobre o caso Battisti. O ministro disse que vai explicar aos senadores por que o governo brasileiro optou por não conceder a extradição do italiano.
Segundo ele, o governo brasileiro entende que Battisti não teve um julgamento justo na Itália, já que ele não teria tido direito à ampla defesa.
– Hoje, qualquer juiz que examinasse o processo, sem preconceito político, sem a menor dúvida absolveria o Battisti por falta de provas ou insuficiência de provas. Todas as supostas provas que têm contra ele vêm da palavra de um co-réu, que negociou a delação premiada, acusando aqueles que estavam fora do país – disse.
Em fevereiro, o ministro do STF Celso de Mello afirmou que a Corte pode mudar sua jurisprudência e conceder a extradição pedida pelo governo italiano. Segundo ele, não haverá nenhuma incoerência se isso ocorrer.
Battisti foi condenado à prisão perpétua em 1993, na Itália, por quatro homicídios que ele teria cometido na década de 70, quando participava da organização de esquerda Proletários Armados pelo Comunismo.
Para Tarso Gento, STF terá que mudar de posição para extraditar Cesare Battisti
Quarta, 11 de Março de 2009 às 10:22, por: CdB