Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Para Sindicato dos Químicos, proibição de sacolas plásticas em São Paulo pode eliminar 30 mil empregos

Terça, 31 de Maio de 2011 às 06:00, por: CdB
Para Sindicato dos Químicos, proibição de sacolas plásticas em São Paulo pode eliminar 30 mil empregos

Movimentos sociais cobram discussão ampla e consulta a atores sociais

Por: Suzana Vier, Rede Brasil Atual

Publicado em 30/05/2011, 12:00

Última atualização às 13:07

Sindicalistas reclamam que trabalhadores não foram ouvidos pela prefeitura (Foto: Sxc.hu)

São Paulo – A proibição de distribuição e venda de sacolas plásticas em São Paulo foi recebida com apreensão pelo Sindicato dos Trabalhadores Químicos e Plásticos de São Paulo. De acordo com Rítalo Alves Lins, diretor da entidade, a medida terá forte impacto no nível de emprego do setor plástico. “O projeto tem impacto em 30 mil postos que vamos perder no entorno da Grande São Paulo e no estado”, calcula.

A medida sancionada pela prefeitura de São Paulo, que entrará em vigor em 1º de janeiro de 2012, não ouviu os trabalhadores e empobrece os debates sobre a sociedade de consumo e a preservação do planeta, critica Lins. “A prefeitura atropelou a sociedade e atores sociais como os trabalhadores”, destaca.  “Não se pode pegar as sacolinhas como vilão. O sindicato é favorável que se desenvolva (algo que) substitua o plástico que temos derivado de petróleo. Queremos um debate completo”, pede.

Nina Orlow, do Movimento Nossa São Paulo, também critica a medida tomada de forma isolada. “Qual campanha está sendo feita para que as pessoas minimizem seus resíduos?”, questiona. “Ninguém está tratando do ponto principal. A gente precisa encarar todos os plásticos da mesma maneira e ver como está sendo a tal logística reversa. Que plano o estado de São Paulo tem para os resíduos?”, aborda Nina em entrevista ao Jornal Brasil Atual.

A substituição das sacolas plásticas por outros materiais para transportar compras, por exemplo, não encerra o problema de descarte de resíduos. “Nos preocupa muito a pessoa que traga para casa a compra em caixa de papelão e ela vai acabar indo do mesmo jeito para o aterro sanitário”, aponta.

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Apesar de ser favorável à minimização de resíduos, Nina destaca que a proibição das sacolas “está sendo jogada” sem a existência de coleta seletiva na capital paulista. “O que nos move muito é essa infeliz questão de que não temos coleta seletiva em São Paulo”, critica.

Educação cidadã

Alves e Nina concordam que falta um enfoque de educação cidadã às medidas da prefeitura. “A sacolinha não pula para o bueiro sozinha”, brinca a representante da Nossa São Paulo. “É mais preocupante o que a pessoa coloca na sacolinha do que a sacolinha”, define.

Alves acredita que é necessário inserir educação cidadã nas escolas a partir de quarta série até à universidade, com conteúdos voltados à discussão da sociedade de consumo e a minimização de resíduos.

Para Nina, a proibição das sacolas plásticas em São Paulo traz ao menos um ponto positivo. “Uma única questão positiva é que serve para o debate, já que não há campanhas educativas.”

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