Na avaliação do presidente do Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil, Valmir de Lemos, as causas do maior acidente ferroviário dos últimos sete anos, com dois trens nesta quinta-feira em Nova Iguaçu, estão relacionadas à falta de manutenção adequada na linha férrea.
Vladimir possui um relatório sobre irregularidades que o sindicato afirma denunciar há seis anos. Entre elas está a falta de parafusos para as placas de ferro que sustentam os trilhos aos dormentes.
— O trem tombou antes de bater na traseira do outro. Alguns desvios estão velhos por falta de manutenção e ele provavelmente se abriu — disse Lemos.
O prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, reclamou da concessionária SuperVia e disse ser necessário rever a relação com a empresa: — Agradeço a rede de solidariedade que se montou, mas temos de rever a relação com a SuperVia. Naquele local acontecem acidentes e atropelamentos sistematicamente. É necessário ter uma passarela — reclamou.
Supervia não pode ser tratada como “Judas”
O governador Sérgio Cabral descartou nesta sexta-feira a possibilidade da Supervia perder a concessão de serviços ferroviários no Estado em razão do acidente Segundo ele, não se pode tratar a empresa como "Judas" e é preciso reconhecer os investimentos feitos pela Supervia nos últimos anos.
O governador disse que vai esperar o relatório que será realizado pela Secretaria Estadual de Transportes e pela agência reguladora do setor antes de falar sobre eventuais sanções.
Cabral afirmou que é preciso evitar precipitações e discursos demagógicos e que o momento é de prestar solidariedade às vítimas.
Polícia investiga falha operacional
A polícia trabalha com a hipótese de falha operacional. De acordo com o delegado Fábio Pacífico Marques, titular da 58ª DP (Nova Iguaçu) e responsável pela investigação, três possibilidades serão investigadas: falha humana, falha mecânica e falha de sinalização.
Segundo ele, peritos do Instituto de Criminalística Carlos Ébole passaram parte da madrugada fazendo perícia no local do acidente. Ainda de acordo com o delegado, testemunhas e técnicos da SuperVia começarão a ser ouvidos nesta sexta-feira. Os responsáveis podem ser indiciados por homicídio culposo.
Ele disse que há informações de uma gravação entre um dos maquinistas e a Central de Controle da concessionária. A suposta fita também será investigada.
Identificadas seis vítimas
Seis vítimas fatais do acidente já foram identificadas. São elas: Severino Inácio da Silva, Jessé da Silva Loroza, Gerônimo Pereira, Érica da Silva, Rosana Theofilo e Renan Pedrosa Moreira.
Vinte uma pessoas continuam internadas nos hospitais da Posse, de Duque de Caxias e Austin, na Baixada, e no Cardiotrauma, na Zona Sul do Rio. Os outros quatro corpos ainda estão em processo de identificação no IML.
Comissão
Em nota oficial, a SuperVia, concessionária do transporte ferroviário no Estado, lamentou o acidente e anunciou que formou uma comissão de técnicos para apurar as causas do acidente. "O laudo será apresentado num prazo de 10 dias", diz o documento da companhia. "Portanto, são prematuras quaisquer hipóteses sobre o ocorrido", conclui a nota.
O coordenador de operações da SuperVia, João Gouveia, prometeu que a empresa irá arcar com as despesas de funeral das vítimas e dar "toda a assistência possível" às famílias. Ele afirmou que a empresa implementou o plano de contingência e enviou ao local assistentes sociais e médicos para ajudar as vítimas.
Porém familiares e amigos reclamam que 17 horas após o acidente, eles ainda enfrentam a agonia de não saber o nome de todos os mortos e feridos. Não há no site da SuperVia nenhum comunicado oficial sobre o acidente ou sobre as vítimas.