PARCERIA UERJ - UFRJ REALIZA PRIMEIRO ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO EM HIPOTIROIDISMO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA
Doença que afeta principalmente mulheres a partir de 35 anos, o hipotiroidismo pode ter seus sintomas confundidos com depressão, menopausa e obesidade. Quando não tratada adequadamente ou diagnosticada precocemente, pode trazer sérias conseqüências para todo o organismo - como cérebro, aparelho reprodutor, ossos. A incidência aumenta progressivamente com a idade.
Equipe formada por técnicos do IBGE, especialistas das duas universidades e laboratório Fleury (responsável pela coleta e análise do sangue), está no Rio de Janeiro, cidade que é a referência do primeiro estudo em grande escala e baseado em dados do último censo populacional, sobre a prevalência de hipotiroidismo na população brasileira. Segundo dados mundiais, o hipotiroidismo afeta cerca de 11% da população, sendo 80% de mulheres, a partir dos 35 anos de idade. A pesquisa tem patrocínio de Abbott Laboratórios.
Para o censo epidemiológico, a cidade do Rio de Janeiro foi dividida em 100 áreas - para que a pesquisa avalie mulheres de diferentes classes econômicas e diferentes hábitos sociais e alimentares. Em cada área, são selecionados de 15 a 18 domicílios; em cada domicílio, é escolhida, aleatoriamente, uma mulher para a coleta do sangue. Feita a coleta e análise do sangue, pelo Laboratório Fleury, a pessoa recebe pelo correio o resultado de seu exame. Em caso de resultado positivo, a paciente é convidada a consultar-se com endocrinologistas das escolas de medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro ou da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, responsáveis pelo estudo, para receber o tratamento adequado.
Segundo Dra. Rosely Sichieri, coordenadora da pesquisa e também da pós-graduação do Departamento de Epidemiologia do Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, este estudo pode estabelecer novos padrões de referência para o diagnóstico da doença - já que os padrões utilizados atualmente referem-se aos EUA e países europeus -, além de alertar a população para a importância do diagnóstico precoce da doença.
Doença Afeta Principalmente Mulheres
Ganho de peso, queda de cabelo, ressecamento da pele, sensação de cansaço, alteração da menstruação, constipação, fraqueza e baixa produtividade intelectual são alguns dos sintomas de hipotiroidismo, mas que na principal faixa da população afetada (mulheres acima de 35 anos), podem ser confundidos com obesidade, depressão e menopausa. Para Dr. Mario Vaisman, coordenador do projeto pela UFRJ, onde é Professor-Adjunto de Endocrinologia da Faculdade de Medicina e Chefe do Serviço de Endocrinologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, "o diagnóstico precoce e tratamento adequado do hipotiroidismo podem melhorar a qualidade de vida das pacientes. O não tratamento adequado da doença pode trazer sérios problemas para todo o organismo - o hipotiroidismo pode afetar o cérebro, o aparelho reprodutor, a estrutura óssea da paciente".
Hipotiroidismo
O hipotiroidismo manifesta-se pela deficiência dos hormônios (T4 e T3) produzidos pela tiróide, glândula que fica na parte anterior e inferior do pescoço e que desempenha importante papel no controle metabólico do organismo. Quando há desequilíbrio hormonal, o tratamento é simples - um comprimido ao dia, pelo tempo indicado pelo médico. A forma mais adequada e confiável para o diagnóstico é o exame de sangue (TSH).O hipotiroidismo não tratado em mulheres grávidas é uma causa importante de abortos e partos prematuros. Dos estimados 11% da população que é portadora de hipotiroidismo, cerca de 4% não apresenta sintomas - daí a importância do exame de sangue.
Dez/04
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Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026
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