- A gente não pode falar em culpa, mas em responsabilidade. E a responsabilidade é do poder público. Quem não deu carreira e um piso nacional ao professor foi o poder público, quem deixou frouxa essa articulação entre avaliação e diretrizes curriculares foi o poder público. O único que não tem culpa é o aluno - indicou.
A secretária de educação básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda, classificou o resultado como "grave" e defendeu que o problema é conseqüência de “uma escola que não sabe ensinar a todos”.
- É o reflexo de um país que não priorizou a educação para todos e que, de 20 anos para cá, tem priorizado. Então nós temos uma dívida de séculos para pagar, junto com a agenda do século 21. A escola era muito elitista e seletiva, ela excluía milhares de alunos da aprendizagem. O desafio agora é garantir que todas as crianças estejam na escola e aprendendo - apontou.
Para a secretária, o contexto social também influencia diretamente nos resultados.
- Nós temos que lembrar que o Brasil é profundamente injusto, tem uma iniqüidade muito grande. A distribuição de renda, a injustiça social, a diferença de oportunidade, isso tudo reflete no sucesso escolar. Em vez de lamentar, cabe ao poder público ter políticas concretas para diminuir essas injustiças - disse Maria do Pilar Lacerda.
André Lázaro destacou que os instrumentos de avaliação criados recentemente pelo ministério, como a Provinha Brasil e o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), permitem enxergar “com mais precisão” o problema.
- A gente agora pode ver onde estão essas crianças, qual é a formação de professores, que tipo de apoio essa escola vai precisar. O importante é não brigar com os dados, se nós ignorarmos, nós não melhoramos - defendeu.
Para Lázaro, o caminho para melhorar a qualidade da educação já está traçado.
- Nós estamos criando o sistema nacional de formação para professores, a Provinha Brasil, o Ideb. A família e a sociedade estão mobilizadas - disse. A melhoria no acesso à educação infantil que, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar (Pnad), passou de 67% para 70% de 2006 para 2007, fará diferença na qualidade do ensino, disse o secretário.
Pilar e Lázaro defendem que os professores não podem ser responsabilizados pelo baixo desempenho verificado na pesquisa, já que, por muito tempo, foram desvalorizados e não tiveram a formação adequada. Para incrementar essa formação, Pilar destacou o curso Pró-Letramento, que capacita professores das séries inciais do ensino fundamental em matemática e português. Hoje, 350 mil professores participam do curso, que tem 240 horas de duração.
Sobre a constatação do IBGE de que aumentou a distância entre brancos e negros no acesso à educação, Lázaro disse que os dados foram uma surpresa.
- Me surpreendeu essa informação, a gente vai precisar de mais detalhes. Os números não expressam as políticas afirmativas que nós adotamos e que outras instituições adotaram voluntariamente. Essa perpetuação da diferença é constrangedora, não só para o MEC, mas para todo o país. Isso nos desmente como projeto de nação - avaliou.