Uma resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas que exigia o desarmamento de milícias libanesas não se aplica ao Hizbollah, ainda assim o grupo vai se desarmar, disse o novo primeiro-ministro libanês Najib Mikati na sexta-feira.
O desarmamento do Hizbollah, no entanto, "terá de ser feito no contexto da estrutura libanesa", disse Mikati a jornalistas de língua árabe após se reunir com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan.
Quando indagado se o grupo vai se desarmar, o premiê respondeu: "Eles vão. Eu estou dizendo".
Mas "na nossa terminologia, o Hizbollah não é uma milícia. É um grupo de resistência, e nós acreditamos que há uma diferença entre resistência e milícia", disse Mikati à Reuters falando em inglês.
Quando questionado se a resolução não se aplica ao Hizbollah ele disse: "Em certa extensão", sem dar mais detalhes.
A resolução 1559 aprovada no Conselho de Segurança em setembro passado, também exigia que a Síria retirasse suas tropas e oficiais de inteligência do Líbano e que Beirute realizasse eleições nacionais sem a interferência externa.
Os representantes da ONU que supervisionam a implementação da 1559 afirmam que estão concentrados agora na realização de eleições previstas para o dia 29 de maio, depois que a Síria anunciou a retirada de todo seu efetivo militar e de inteligência do país.
Segundo esses representantes, o desarmamento das milícias não é uma prioridade no momento.
Annan não falou aos jornalistas após sua reunião com Mikati, mas um porta-voz disse que o secretário-geral "reiterou seu pedido pela completa implementação da resolução 1559".
A resolução afirma que as milícias que operam em solo libanês devem se desarmar para que o governo central possa exercer sua soberania em todo o país.