O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse nesta terça-feira que o déficit em conta corrente de US$ 17,4 bilhões, no resultado acumulado da balança comercial brasileira no primeiro semestre, foi conseqüência da crise econômica nos Estados Unidos e não se configura, ainda, uma tendência.
Na avaliação do ministro, devido à crise norte-americana, “muitas empresas mandaram dinheiro para socorrer suas matrizes, o que elevou o déficit em conta”. Ele esteve em palestra, na sede do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças (Ibef), no Rio de Janeiro.
- Eu ainda não estou convencido de que seja [o déficit em conta] uma tendência irreversível. Temos que olhar esse déficit com atenção para ver se isto vai continuar - observou, lembrando que as projeções do Banco Central apontam para um déficit em conta, no fechamento do ano, de cerca de US$ 23 bilhões.
No entendimento do ministro, a crise provocada pelo setor imobiliário norte-americano já se encontra em um período em que os prejuízos já estão declarados e incorporados aos balanços das empresas e, por isso, perto de acabar na previsão dele. “O quadro, portanto, pode mudar”, disse.
Paulo Bernardo destacou previsões que indicam que o volume de investimentos diretos deverá passar dos US$ 34 bilhões – o que vai se repetir pelo segundo ano consecutivo
- Portanto, está havendo muito investimento, menos dinheiro para a especulação e mais para investimentos produtivos - observou. O ministro admitiu que a atual conjuntura internacional prejudicou a entrada de recursos no país e minimizou os efeitos positivos da concessão do grau de investimento ao Brasil.
- Na hora em que essa crise amainar e a conjuntura internacional melhorar, os capitais [externos] vão voltar a buscar lugares seguros para voltar a investir e o Brasil está muito seguro nesta rota - estimou.
Com a entrada de mais recursos externos, na avaliação do ministro, o câmbio poderá ficar ainda mais desvalorizado.
- Você não pode fazer omelete sem quebrar ovos. Nós passamos a vida inteira achando que era bom ter investimentos produtivos e não especulativos. Nós precisamos de investimentos em infra-estrutura, precisamos aumentar também o volume de recursos no setor produtivo. Então, se nós tivermos habilidade para atrair mais capitais para que isto ocorra, nós temos é que trabalhar para que isto aconteça. Não podemos ficar supondo que o dólar vá subir ainda mais - afirmou.