Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Para Palocci, Brasil pode lidar com choques externos

Sábado, 16 de Abril de 2005 às 06:35, por: CdB

A economia brasileira está muito melhor preparada agora do que no passado para enfrentar choques externos, disse o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, nesta sexta-feira.

O fortalecimento das contas externas do país, o aumento das reservas internacionais e a redução da dívida interna atrelada ao câmbio são as principais razões para acreditar nisso, sustentou o ministro.

Palocci conversou com jornalistas depois de um encontro com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, John Snow.

- A economia está mais saudável e estável... e não irá sofrer tanto como sofreu no passado - afirmou.

- Mas é claro que esperamos que não aconteça nenhum problema externo.

O aperto monetário promovido pelo Federal Reserve (Fed) espalhou algumas preocupações de que ativos de países emergentes ficassem menos atrativos.

Mas os aumentos de juros nos EUA têm sido "balanceados, adequados e transparentes", tornando o impacto sobre os mercados emergentes "quase imperceptível", acrescentou Palocci.

- Se for feito de uma maneira brutal, sem planejamento, todos os países acabarão sentindo os efeitos negativos. O Brasil viu isso dezenas de vezes.

A melhora do quadro fiscal, econômico e estrutural do Brasil foi, em grande parte, o que motivou o governo a não renovar o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Palocci não quis elaborar ao ser questionado sobre se o Brasil irá antecipar ou não os pagamentos ao Fundo. Enquanto o país está sempre aberto a formas de reduzir sua dívida, essa é uma questão "técnica", não de política, disse.

- Isso não é simplesmente uma questão de pré-pagamento. O que é mais importante é construir uma posição fiscal que possa garantir uma trajetória favorável de redução da relação dívida/PIB.

O FMI tem uma visão positiva sobre o Brasil, mas acredita que o crescimento econômico vai desacelerar para 3,7% neste ano.

Palocci, no entanto, é "um pouco mais otimista que o FMI sobre nosso crescimento", embora tenha acrescentado que as tendências de longo prazo e a melhora das condições para negócios são mais importantes para investidores e empresários.

O ministro negou-se a comentar a proposta para o FMI vender parte de suas reservas em ouro para ajudar a aliviar a dívida de países muito pobres.

Ele disse, no entanto, que países riscos deveriam adotar políticas para ajudar os mais pobres a crescer, como a abertura do comércio global, especialmente no setor de agricultura.

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