Os bancos britânicos continuam vulneráveis aos vaivéns da economia e aos efeitos derivados da recessão que ainda podem causar estragos nas contas das entidades, alertou o Banco da Inglaterra (banco central do Reino Unido) nesta sexta-feira, em seu relatório de estabilidade financeira. Apesar dos sinais de otimismo mostrados no último mês por políticos e empresários, o banco considera que as instituições bancárias do Reino Unido continuam "em perigo" e advertem que poderiam acontecer perdas à medida que seus ativos se depreciam, especialmente sua bolsa hipotecária.
"Enquanto as contas de resultados continuarem fracas, o risco para o setor bancário persistirá, o que afetará a concessão de empréstimos e assim a recuperação econômica do país", explica o Banco da Inglaterra.
Segundo os dados do BC britânico, um dos grandes problemas dos bancos britânicos é "seu crescente déficit de financiamento", já que a diferença entre os créditos concedidos e os depósitos com que contam as entidades chega a 800 bilhões de libras (937 bilhões de euros). Para enfrentar estas necessidades de liquidez, as entidades recorreram à emissão de dívida, que foi assinada pelo Estado através do programa especial para a compra de ativos por 293 bilhões de euros.
Segundo a autoridade monetária britânica, algumas entidades terão problemas para conseguir a liquidez (oferta de dinheiro) necessária à medida que os pacotes de ajuda estatais desaparecerem nos próximos anos.