Parlamentares da oposição defenderam nesta quarta-feira a saída do presidente do Banco Central um dia depois de o procurador-geral da República ter entrado com pedido de inquérito contra Henrique Meirelles no Supremo Tribunal Federal.
"É muito complicado o presidente do Banco Central ser indiciado pelo chefe do Ministério Público Federal. Não é um promotor qualquer", disse Alberto Goldman (PSDB-SP), líder do partido na Câmara e antigo colega de partido de Meirelles. Ele não deveria ficar na presidência do BC."
Na terça-feira, o procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, pediu abertura de inquérito contra Meirelles por evasão de divisas do país e crimes eleitoral e contra o sistema financeira nacional.
"O presidente do Banco Central deve ter uma vida imaculada. O que o PT praticou de grosserias contra Armínio Fraga (ex-presidente do BC) foi um absurdo. Foram injustos com Armínio e estão sendo superprotetores com o Meirelles", argumentou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). Para ele, com as denúncias, fica muito difícil conceder autonomia ao BC.
Virgílio conseguiu aprovar na própria terça-feira um requerimento "convocando" Henrique Meirelles a dar explicações sobre as acusações na Comissão de Fiscalização e Controle do Senado. Depois de uma movimentação do PMDB, o senador concordou em substituir a palavra convocação por convite.
As críticas ao presidente do BC não ficaram restritas aos parlamentares do PSDB, partido pelo qual Meirelles foi eleito deputado federal em 2002.
"Acho que o Meirelles já decidiu ser candidato (ao governo de Goiás). Ele podia neste momento aproveitar a oportunidade e pedir demissão para se preparar para sua campanha", alfinetou o deputado Pauderney Avelino (PFL-AM).
Do lado do governo, alguns líderes preferiram usar de ironia para rebater as críticas da oposição.
"Não estou entendendo muito bem a reação do PSDB. Porque se ação do Ministério Público significasse a saída de ministros, sobrariam poucos no governo passado", reagiu o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP).
Já outros resolveram "atirar" em Fonteles.
"Como o procurador é uma figura extremamente polêmica, nós temos que ver se aquilo que aparece como denúncia é aparição pública ou veracidade", disse o líder do PSB na Câmara, Júlio Delgado (MG).
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto (SP), foi na mesma linha. "Para o Fonteles, basta o cidadão ter um cargo público que ele denuncia. Normalmente, esses processos dele não dão em nada, ninguém dá bola." Costa Neto já foi alvo investigado pelo procurador em outra ocasião.
O ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, lembrou que Meirelles "já se pronunciou sobre as matérias divulgadas sobre a investigação do Ministério Público".
"Ele tem a confiança do governo e do presidente da República e tem que trabalhar sobre a responsabilidade que tem de dirigir o Banco Central do Brasil", disse o ministro a jornalistas.