Rio de Janeiro, 14 de Fevereiro de 2026

Para Mantega, turbulências podem afetar crescimento em 2008

Quinta, 30 de Agosto de 2007 às 15:44, por: CdB

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou, nesta quinta-feira, após reunião ministerial na Granja do Torto, que as turbulências no mercado externo podem durar ainda algumas "semanas ou meses" e, na pior das hipóteses, impactar a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2008.

Mantega creditou a análise a economistas do mercado financeiro.

— Pode haver uma queda de 0,1 a 0,3 ponto percentual do PIB. É apenas uma reflexão e especulação. São projeções. Como estamos no curso das turbulências, esclareci as possibilidades —, disse.

Para ele, porém, não haverá esse recuo do Produto Interno Bruto em relação ao estimado.

Até o momento, a estimativa do governo federal, contida no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), é de que o PIB cresça 5% no próximo ano. Para o mercado financeiro, a taxa de crescimento deve ficar um pouco menor: 4,40%. Entretanto, o mercado vem elevando as suas estimativas para o avanço da economia brasileira em 2008 há duas semanas consecutivas.

Apesar de fazer a ponderação sobre a taxa de crescimento do próximo ano, Mantega segue afirmando que a economia brasileira tem todos os elementos para manter uma elevação sustentada do PIB.

— Mudamos patamar de crescimento e estamos combinando com distribuição de renda e redução da pobreza. Estamos reduzindo a pobreza e distribuindo melhor a riqueza. Crescimento é sustentável porque se faz por meio de vulnerabilidade menor da economia, que está sendo posta à prova neste momento —, afirmou a jornalistas.

O ministro disse ainda que a melhoria nas contas públicas, com o déficit nominal, contabilizado após o pagamento dos juros, de 2,08% do PIB em doze meses até julho, o mais baixo da história, confere "respeitabilidade" ao Brasil.

— Tudo isso nos permite dizer que teremos muito pouca influência ou repercussão desta turbulência que pode perdurar por algumas semanas ou meses —, acrescentou.

Segundo ele, a economia brasileira depende, porém, cada vez menos do mercado externo.

— Isso porque constituímos um mercado de massa no Brasil. Aumentamos o poder de consumo com o aumento do emprego e renda. Porque fizemos quase uma revolução no crédito, que é acessível às camadas de menor renda. Triplicamos o crédito às pessoas físicas nos últimos quatro anos, com distribuição de renda e política de salário mínimo. Conseguimos fazer uma inclusão de vários milhões de famílias em um patamar de consumo melhor —, concluiu.

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