Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Para Mantega, há interesses de grandes grupos empresariais na matéria do NYT

Segunda, 10 de Maio de 2004 às 21:38, por: CdB

O ministro do Planejamento, Guido Mantega, disse na última segunda-feira que há interesses acima do jornalístico na reportagem do jornal americano 'The New York Times'. Segundo o ministro, ao ganhar projeção internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou uma postura mais independente e passou a incomodar tanto o governo dos Estados Unidos como grandes grupos empresariais e financeiros daquele país.

- Quando um jornal como o New York Times faz esse tipo de difamação e calúnia, tem algo por trás. Se fosse um jornal da imprensa marrom, que vivesse disso, tudo bem. Mas o que vemos é que, com a reportagem, tentaram, sem sucesso, desgastar a imagem do presidente Lula - afirmou o ministro.

Mantega destacou que, desde que assumiu o país, em janeiro de 2003, Lula começou a 'pisar nos calos' de certos interesses constituídos. Ele citou como exemplos a criação do G-20 - grupo de países em desenvolvimento liderado por Brasil, Índia e China, contrários aos subsídios agrícolas nas negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC), o fortalecimento do Mercosul e a resistência brasileira no processo de instituição da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
 
O ministro lembrou, ainda, que, mais recentemente, os Estados Unidos sofreram uma dura derrota na OMC, que se posicionou favoravelmente ao Brasil na ação movida contra os subsídios concedidos pelo governo dos EUA aos produtores de algodão.

- O Brasil hoje é mais respeitado do que era antes e suas posições são sempre ouvidas. O pessoal está nos engolindo a contragosto e quer, a todo custo, enfraquecer o país dando golpes abaixo da cintura - disse Mantega.

O ministro assegurou que a estratégia que ele chamou de enfraquecimento não deu certo. E lembrou que, apesar das dificuldades pelas quais o Brasil e outros países emergentes vêm passando em suas economias desde a semana passada, os fundamentos econômicos brasileiros não foram afetados.

- O tiro saiu pela culatra. Isso só une cada vez mais o povo brasileiro. Estão tentando passar a mensagem que o Brasil não é um país sério, mas não houve qualquer repercussão econômica.

Perguntado sobre quem seriam os autores das intrigas cujo objetivo seria abalar a imagem do presidente brasileiro, Mantega respondeu:

- Pergunte para quem escreveu a reportagem. Há interesses em jogo do governo e de grandes grupos empresariais.

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