O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira, durante a reunião de cúpula do Mercosul, que imigrantes latino-americanos sofrem "perseguição odiosa" na Europa.
– Continuaremos prestigiando os canais de participação da sociedade civil e favorecendo a livre circulação de homens e mulheres quando, no outro lado do oceano, desencadeia-se odiosa perseguição aos latino-americanos, muitas vezes cercada de conteúdos racistas – disse Lula, em discurso que marcou o início da presidência rotativa do bloco pelo Brasil.
O presidente fez as declarações duas semanas depois de o Parlamento Europeu aprovar uma série de medidas que limitam a imigração e prevêem prisões e expulsões para imigrantes ilegais.
Após o discurso de Lula, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que os países da chamada União das Nações da América do Sul (Unasul) vão recorrer das medidas, que a Europa pretende adotar a partir de 2010, na Organização das Nações Unidas (ONU).
– Vamos chamar a atenção para o tema na Assembléia Geral da ONU e talvez também no Conselho de Direitos Humanos, também da ONU. Temos ações variadas sendo analisadas –afirmou.
– O assunto precisa de análise jurídica. O que eles usam é o mesmo termo que se usou para terroristas na época do IRA, quando até crianças eram detidas – completou.
Declaração conjunta
Nesta 35ª Reunião de Cúpula do Mercosul, realizada na cidade de San Miguel de Tucumán, na província argentina de Tucumán, os presidentes divulgaram declaração conjunta "rejeitando" a nova política de imigração da União Européia.
O chanceler brasileiro já tinha sugerido a palavra "rejeição" no lugar de "preocupação" com a iniciativa européia. Nesta terça-feira, durante a reunião dos chefes de Estado, o presidente da Bolívia, Evo Morales, propôs ainda que a palavra "rejeição" fosse para abertura do texto e que não ficasse no segundo parágrafo como estava originalmente.
O presidente Lula fez as declarações pouco depois de os líderes do Uruguai, Tabaré Vázquez, da Bolívia, Evo Morales, do Chile, Michelle Bachelet, e da Argentina, Cristina Kirchner, criticarem as medidas tomadas pela União Européia – os discursos foram transmitidos ao vivo pelo canal oficial argentino, canal 7.
– O Chile, como seus sócios do Mercosul, também condena a medida imigratória da União Européia porque ela pode afetar os direitos humanos. Nossos países foram muito generosos com os europeus no passado e agora não é justo que nossa gente receba esse tratamento discriminatório e devemos pedir um tratamento justo para nossos imigrantes – disse a presidente do Chile, Michelle Bachelet.
O líder boliviano Evo Morales também atacou com as medidas dizendo que os imigrantes latino-americanos só querem "trabalhar" em solo estrangeiro.
– A nossa região esteve aberta para eles (europeus) e eles, muitas vezes, saquearam nossos recursos naturais e agora aprovam essa medida – disse Morales.
– Nossos imigrantes que embarcam para a Europa não são donos de minas, só querem trabalhar. Não estão explorando europeus. Estão lá cuidando de anciãos para receber 1,2 mil euros por mês – disse.
Cristina fez discurso na mesma linha, lembrando que três dos seus quatro avós são espanhóis.
– A Argentina foi um país receptor de imigração, quando a fome matava na Europa e levou que milhares chegassem aqui – disse a presidente argentina.
Para Lula latino-americanos sofrem perseguição na Europa
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira, durante a reunião de cúpula do Mercosul, que imigrantes latino-americanos sofrem "perseguição odiosa" na Europa. O presidente fez as declarações duas semanas depois de o Parlamento Europeu aprovar uma série de medidas que limitam a imigração e prevêem prisões e expulsões para imigrantes ilegais. (Leia Mais)
Quarta, 02 de Julho de 2008 às 06:36, por: CdB