O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou nesta sexta-feira que tenha feito críticas muito duras aos Estados Unidos por causa da produção de etanol a partir do milho.
— Não nominei país porque é uma briga comercial mundial e tecnológica —, disse o presidente, ao ser questionado pelos jornalistas sobre o discurso com críticas à produção de etanol a partir do milho.
— O que nós queremos é que o mundo tenha compreensão, que para o cumprimento do Protocolo de Kyoto, só tem uma solução, é produzir o etanol ou comprar do Brasil, e de preferência produzir da cana-de-açúcar —, disse.
Segundo o presidente, sua “aparente irritação” nos discursos feitos nesta sexta-feira foi motivada por causa do que chamou de “mentiras deslavadas” em relação aos motivos para alta no preço dos alimentos.
— Fico extremamente feliz de ver que o povo está comendo mais. O problema é que nós temos que produzir mais alimentos, porque na hora em que você tem uma demanda grande e a oferta é pequena, aumenta o preço dos produtos ou falta produtos —, ressaltou.
Lula disse que o Brasil está buscando o equilíbrio e o reconhecimento de quem tem “trinta e três anos de conhecimento de produção do álcool a base da cana”.
O presidente disse não ter informações se vai haver aumento do preço da gasolina.
— Por enquanto não tenho nenhuma informação, e se recebê-la, essa discussão tem que passar pelo governo —, disse.
O presidente ressaltou que tem que olhar “qualquer aumento, de qualquer coisa na área de combustível, qual a implicação que vai ter na inflação, para que a gente possa tomar qualquer medida”.
Sobre as possíveis restrições às exportações de arroz para conter a lata nos preços, Lula disse que o Brasil adotou a decisão de ser cauteloso na exportação do produto porque o país tem pouco mais de um milhão de toneladas de reserva.
— Não podemos exportar antes de ver a safra nova, porque não queremos correr o risco de faltar alimento no Brasil. Mas vamos continuar exportando —, disse.
O presidente disse não ter ficado preocupado com a prisão na quinta-feira de um conselheiro do banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na Operação Santa Teresa, da Polícia Federal.
— Não tem nada a ver com o papel que ele tinha no conselho. A impressão que se tem é que o cidadão cometeu isso não porque era conselheiro, quando a pessoa quer cometer um delito ou quer praticar mau-caratismo, se aproveita de qualquer oportunidade —, disse.
Para Lula, crítica à produção de etanol é briga comercial mundial
Sexta, 25 de Abril de 2008 às 16:13, por: CdB