Rio de Janeiro, 02 de Novembro de 2026

Para Lula, crítica à produção de etanol é briga comercial mundial

Sexta, 25 de Abril de 2008 às 16:13, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou nesta sexta-feira que tenha feito críticas muito duras aos Estados Unidos por causa da produção de etanol a partir do milho.

— Não nominei país porque é uma briga comercial mundial e tecnológica —, disse o presidente, ao ser questionado pelos jornalistas sobre o discurso com críticas à produção de etanol a partir do milho.

— O que nós queremos é que o mundo tenha compreensão, que para o cumprimento do Protocolo de Kyoto, só tem uma solução, é produzir o etanol ou comprar do Brasil, e de preferência produzir da cana-de-açúcar —, disse.

Segundo o presidente, sua “aparente irritação” nos discursos feitos nesta sexta-feira foi motivada por causa do que chamou de “mentiras deslavadas” em relação aos motivos para alta no preço dos alimentos.

— Fico extremamente feliz de ver que o povo está comendo mais. O problema é que nós temos que produzir mais alimentos, porque na hora em que você tem uma demanda grande e a oferta é pequena, aumenta o preço dos produtos ou falta produtos —, ressaltou.

Lula disse que o Brasil está buscando o equilíbrio e o reconhecimento de quem tem “trinta e três anos de conhecimento de produção do álcool a base da cana”.

O presidente disse não ter informações se vai haver aumento do preço da gasolina.

— Por enquanto não tenho nenhuma informação, e se recebê-la, essa discussão tem que passar pelo governo —, disse.

O presidente ressaltou que tem que olhar “qualquer aumento, de qualquer coisa na área de combustível, qual a implicação que vai ter na inflação, para que a gente possa tomar qualquer medida”.

Sobre as possíveis restrições às exportações de arroz para conter a lata nos preços, Lula disse que o Brasil adotou a decisão de ser cauteloso na exportação do produto porque o país tem pouco mais de um milhão de toneladas de reserva.

— Não podemos exportar antes de ver a safra nova, porque não queremos correr o risco de faltar alimento no Brasil. Mas vamos continuar exportando —, disse.

O presidente disse não ter ficado preocupado com a prisão na quinta-feira de um conselheiro do banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na Operação Santa Teresa, da Polícia Federal.

— Não tem nada a ver com o papel que ele tinha no conselho. A impressão que se tem é que o cidadão cometeu isso não porque era conselheiro, quando a pessoa quer cometer um delito ou quer praticar mau-caratismo, se aproveita de qualquer oportunidade —, disse.

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