O governo aguardará o Supremo Tribunal Federal (STF) se pronunciar sobre a instalação da CPI do Apagão Aéreo na Câmara e tentará abafar as intenções da oposição no Senado. Os líderes do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE) tomaram a decisão nesta sexta-feira após longa reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Walfrido Mares Guia (Relações Institucionais).
- Não queremos uma ou duas CPIs, queremos zero, nenhuma CPI -, afirmou Múcio.
Ele, aliás, nega que tenha articulado um acordo com a oposição para instalar a CPI na Câmara antes que seja criada no Senado. Mas admite que é mais fácil o governo ter o controle de uma investigação feita pelos deputados por ter a maioria mais folgada em relação ao Senado.
- É questão de aritmética: temos condições mais favoráveis aqui (na Câmara) -, disse o líder.
Jucá, por sua vez, afirmou que, durante o encontro, o presidente Lula demonstrou preocupação com a contaminação das votações no plenário por conta de um clima de disputa política em torno da CPI.
- Uma CPI atrapalha todas as votações, não só o PAC. O presidente está preocupado com a normalidade do Congresso -, disse Jucá.
- Qualquer chefe de Executivo sabe que o problema de uma CPI não é o foco, o programa de CPI é o palanque. É por isso que, em São Paulo, o governo luta para não instalar. Procure saber se em Minas Gerais tem alguma (CPI), se no Rio Grande do Sul tem alguma. O Executivo sabe que CPI atrapalha -, afirmou o líder na Câmara.
Uma das formas para pressionar a oposição é a CPI das ONGs, aberta no Senado, que não interessa ao PSDB.
- O governo não tem medo de CPI e aqui no Senado, por exemplo, na CPI das ONGs, a segunda assinatura é minha -, disse Jucá.
Rio de Janeiro, 16 de Janeiro de 2026
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