Prêmio Nobel de Economia de 2008, Paul Krugman não quer que o FED, o banco central dos Estados Unidos, ceda ao apelo do nosso ministro Guido Mantega, para que as autoridades monetárias norte-americanas recuem da sua política de juros baixos.
Em artigo no The New York Times o economista defendeu que Washington não dê ouvidos aos pleitos de outros países, continue a emitir dólares e não mude de exportação de inflação para o mundo. Para Krugman, a inflação nos outros países simplesmente não é um problema dos EUA.
O Nobel resume a questão quando afirma, sem pudor, que não existe dilema quanto ao que se fazer na América. Por lá, a diretriz seguida deve ser uma só: “emprego, emprego, emprego". De quebra, mandou um recado ao nosso ministro da Fazenda: aumente o "controle de capital".
Questão central é esta mesmo: gerar emprego
OK, em qualquer economia, a questão é essa mesmo: emprego. Por aqui, o total de vagas criadas no ano passado, agora divulgado, foi de 2,861 milhões. E números dessa mesma grandeza são a meta para os próximos anos.
O que conta e interessa é manter os investimentos e a distribuição de renda, assim como sustentar nosso crescimento no mercado interno. A receita deve incluir, também, o aumento da produtividade e competitividade de nossa economia. E passa pelos investimentos em infraestrutura, inovação e educação.
Caso contrário, não vamos enfrentar com sucesso a selva econômica mundial onde cada país cuida do seu quintal, a começar pelos EUA. Lá, seu banco central (FED) está interessado apenas em garantir o crescimento do emprego e da economia para que o presidente Barack Obama (Partido Democrata) possa vencer as eleições - sua reeleição - de 2012.
Selva econômica
O resto é conversa fiada ou má fé. Ou, ainda, se quiserem, é defesa de interesses do mercado financeiro. Assim, Krugman acerta quando frisa a importância de mais controle de capitais e menos juros. É hora, trambém, de manter e aumentar os investimentos produtivos por aqui.
Em resumo, no Brasil, no front econômico - já que, no político, nem o adiamento da votação do Código Florestal (ler mais), nem a situação no Ministério da cultura (MinC) chegam a ser considerados crises-, a queda do preço das commodities, da inflação e a redução da entrada de capitais no país, revelam que a política do governo já rende benefícios.
Hoje a Bloomberg noticia que os juros futuros "mostram que Mantega está estancando o fluxo de capitais." Ressalta, ainda, que "o país está tendo sucesso no esforço de frear aplicações externas na dívida brasileira". Vê-se, assim, que caso tivéssemos controlado mais os capitais e aumentado menos os juros, tudo indica que teríamos um efeito positivo melhor e ainda maior.
Rio de Janeiro, 29 de Agosto de 2026
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