Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Para Holkeri, é necessário reorganizar a missão da ONU em Kosovo

Terça, 11 de Maio de 2004 às 14:10, por: CdB

O chefe da missão da ONU em Kosovo, Harri Holkeri, falou hoje, terça-feira, ante o Conselho de Segurança sobre a necessidade de reorganizar sua missão, depois de admitir que foi incapaz de prevenir o surto de violência registrado entre albaneses e sérvios em março deste ano.

Em uma reunião aberta do Conselho, Holkeri disse que a violência, a pior desde o fim da guerra, representou um grave revés para os esforços da UNMIK de criar um Kosovo multiétnico e fez tremer seus alicerces.

"A violência levou a uma reavaliação da UNMIK. A nossa resposta foi adequada? Fizemos o suficiente para preveni-la?", questionou.

A província sérvia de Kosovo, povoada por uma maioria albanesa independentista, está sob a administração da UNMIK e vigilância da Força para Kosovo (KFOR) desde o fim da guerra, em junho de 1999.

Holkeri explicou que a rapidez com que aconteceram os fatos em março superou a capacidade das forças de segurança tanto da UNMIK como da KFOR, que é comandada pela Otan.

Ele indicou que a UNMIK não tem recursos para aumentar suas forças policiais, enquanto que a KFOR só reagiu com o reforço de seus soldados quando a violência já tinha acabado.

Em dois dias de ataques que se estenderam por vários pontos de Kosovo, 19 pessoas morreram, 900 ficaram feridas e 4.000 fugiram de seus lares. Foram destruídas cerca de 730 casas e 29 igrejas e monastérios ortodoxos sérvios.

Holkeri pediu hoje um maior compromisso dos Estados membros para prevenir outros casos de violência, assim como para investigar e levar à Justiça os autores desses ataques.

Ele afirmou que a UNMIK continuará trabalhando pelo autogoverno de Kosovo visando às eleições parlamentares do dia 23 de outubro deste ano.

Neste sentido, indicou que a UNMIK deve estudar se suas estruturas e organização atuais são as mais efetivas para fazer frente aos desafios de hoje e de amanhã.

"A UNMIK foi uma missão que mudou muito à medida que os desafios em Kosovo foram sendo alterados. Sob minhas instruções, começamos a considerar nossa configuração para o futuro e, até mesmo a possibilidade de reorganizar nossa estrutura", ressaltou.

Holkeri, no entanto, disse que nem tudo depende da UNMIK. Também precisam colaborar com o plano de "padrões anteriores ao estatuto" o governo provisório albanokosovar e a população de Kosovo.

Os padrões são normas democráticas exigidas pela ONU a Kosovo antes de definir o estatuto político final da província.

Um dos mais importantes é retomar o diálogo com a Sérvia para poder restabelecer a confiança mútua e conseguir avanços no aspecto político.

Holkeri indicou que a UNMIK oferecerá todo o apoio ao povo e ao Governo kosovar para progredir neste sentido, assim como em outros padrões relacionados ao retorno dos deslocados sérvios e à liberdade de movimentos.

Mas ele mostrou sua decepção com relação ao fato de que, até o momento, o nível de compromisso do governo provisório na implementação da política de padrões é "insuficiente", e lamentou que a comunidade sérvia minoritária tenha decidido não participar do processo.

Holkeri disse que a ONU tomou nota do plano para Kosovo apresentado pelo primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, que prevê a descentralização da província para que os sérvios gozem de uma autonomia territorial e cultural.

No entanto, indicou, a ONU está preocupada com a segurança e a sustentabilidade econômica de uma autonomia sérvia dentro de Kosovo.

O plano de dividir Kosovo em cantões apresentado por Kostunica também suscitou a rejeição dos albaneses, que insistem na independência.

Depois de escutar Holkeri, os membros do Conselho concordaram com a necessidade de contar com uma maior colaboração da comunidade internacional no plano de democratização de Kosovo e que deve haver um desenvolvimento econômico mais intenso para que seja possível conseguir avanços no terreno político.

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