Hans Blix, chefe dos inspetores de armas da ONU (Organização das Nações Unidas), que na semana passada criticou Washington e Londres, afirma que a guerra no Iraque não foi decidida de antemão e que uma declaração ou gesto de Saddam Hussein de última hora poderia tê-la evitado. O diplomata sueco, cuja missão termina no fim do mês, disse que não acredita que o presidente americano, George W. Bush, tenha tomado a decisão de declarar guerra ao Iraque antecipadamente. - Não acredito que uma decisão tenha sido tomada antes do último momento - disse Blix, contrapondo-se assim à maioria dos diplomatas e analistas, que consideram que os Estados Unidos decidiram invadir o Iraque independentemente do resultado da missão dos inspetores da ONU no local. - Sei que alguns franceses estão convencidos de que, desde o mês de janeiro, a decisão (de iniciar a guerra) já tinha sido tomada (por Bush), mas antes de acreditar nisso, gostaria de ver a prova - disse Blix, em entrevista concedida em seu escritório no 31º andar do prédio da ONU em Nova York. Os EUA iniciaram a guerra no dia 20 de março, apesar da oposição da comunidade internacional, obrigando os inspetores de armas da ONU a deixarem o país de forma precipitada. Até sua saída do Iraque, os membros da Unmovic (Comissão de Monitoramento, Verificação e Inspeção da ONU) não haviam encontrado nenhum vestígio de armas de destruição em massa, que segundo Washington e Londres o regime iraquiano possuía. As equipes americanas também não encontraram nenhuma arma de destruição em massa. Blix fez duros comentários sobre o governo dos Estados Unidos e do Reino Unido em entrevistas recentes. Às vezes, a guerra é decidida, como ocorreu no Iraque, sobre bases errôneas, declarou Blix numa entrevista publicada na quinta-feira passada pelo jornal francês Le Monde. - Não é a primeira vez que se utiliza a força com base em informações erradas - afirmou Blix, em referência à operação militar realizada pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido contra o regime de Saddam Hussein. - Efetuar ataques preventivos baseando-se em informações dos serviços secretos é algo que exige um cuidado especial - declarou. Blix também criticou na semana passada o governo norte-americano por ter lançado a guerra com base em informações que "não eram sólidas". Numa entrevista à rede de TV americana ABC, Blix disse que "a maioria das informações obtidas não eram sólidas. Talvez (os americanos) acreditem que elas eram sólidas, mas isto não nos levou a um bom caminho", declarou. Enquanto a decisão de ir à guerra ainda não havia sido tomada, Washington "pressionou" seus inspetores para que os informes fossem prejudiciais" ao Iraque, afirmou Blix, em entrevista ao jornal britânico The Guardian.
Para Hans Blix, gesto de Saddam poderia ter evitado guerra
Terça, 17 de Junho de 2003 às 12:13, por: CdB