O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que a economia brasileira desfruta das melhores condições em anos no setor financeiro, mas pediu às autoridades para manterem a inflação sob controle.
Segundo o FMI, as políticas cautelosas do Brasil desde a crise financeira de 2002 estimularam "uma transformação significativa da economia", com notáveis melhora em renda, emprego, dívida pública e reservas internacionais.
- As condições do mercado financeiro são atualmente as melhores em muitos anos - disse o organismo multilateral de crédito em um relatório anual sobre a economia brasileira, divulgado dias após o país ter pago 1,49 bilhão de dólares finais de um empréstimo de 42 bilhões de dólares.
O FMI, com sede em Washington, informou que, apesar de as exportações terem liderado a recuperação, a demanda doméstica também cresceu significativamente em 2004.
O órgão elogiou as autoridades brasileiras pelo seu "feito substancial" de manter a inflação controlada em 2004, mas disse que o Banco Central deveria manter a atenção sobre o persistente alto núcleo da inflação.
- O desafio para o Banco Central é reduzir mais a inflação evitando um impacto no crescimento - segundo o fundo.
- A recente valorização do real ao lado de crescentes taxas de juros e o ritmo mais baixo de atividade podem contribuir para desacelerar a inflação nos próximos meses.
O Banco Central brasileiro aumentou a taxa de juros sete vezes consecutivas até este mês, enquanto a economia do país cresceu 5,2% em 2004, o maior índice em uma década.
No relatório, o FMI não comentou sobre o futuro do programa de empréstimos ao Brasil, que termina quinta-feira, 31 de março.
Apesar de o Brasil não descartar outro acordo com o FMI para um empréstimo preventivo, o país pressionou por um novo mecanismo que daria acesso ao dinheiro do fundo em caso de uma crise financeira sem as condições fiscais e monetárias que acompanham empréstimos do FMI.
O atual acordo do Brasil com o FMI é de 1998, quando recebeu um pacote para assegurar os investidores de que poderia pagar sua dívida em meio a uma crise nos mercados emergentes.
No médio prazo, o FMI pediu ao Brasil para aliviar as restrições orçamentárias para deixar espaço a "programas prioritários", como os gastos sociais para redução da pobreza, uma prioridade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para FMI, economia brasileira está na melhor condição em anos
Sexta, 25 de Março de 2005 às 15:21, por: CdB