Negociadores dos bancos negam reivindicações da categoria, apesar de as instituições estarem há muito mais tempo com lucros astronômicos
Por: Redação da Rede Brasil Atual
Publicado em 13/09/2011, 12:12
Última atualização às 12:12
TweetSão Paulo - A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) negou todas as reivindicações econômicos apresentadas pelos bancários na rodada de negociação da campanha salarial, na segunda-feira (12), em São Paulo. A nova série de recusas inclui PLR, valorização do vale-refeição e da cesta-alimentação, a implantação de Plano de Carreiras, Cargos e Salários (PCCS) e auxílio creche.
Para os negociadores dos bancos, os trabalhadores estão "há muito tempo recebendo aumento real", argumento utilizado para justificar a "impossibilidade" de um reajuste salarial acima da inflação. O Comando Nacional dos Bancários considerou a postura e ausência de uma contraproposta uma demonstração de afronta. O lucro anual das instituições financeiras têm tido "saltos gigantes", segundo os bancários, além de o volume de serviço dos trabalhadores também crescer a cada ano.
“Os negociadores do setor que mais ganha, que mais acumula riqueza, afirmaram que os bancários já estão há sete anos com aumento real e tiveram reajuste ‘extraordinário’ do piso no ano passado. O recado foi de que não devemos esperar nada parecido para este ano”, relatou Juvandia Moreira, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, ao site da entidade. “Além de não apresentar proposta pra nada, alegam que o salário do bancário cresceu demais. Isso é inaceitável diante dos ganhos dos bancos.”
Juvandia mostra ainda que a categoria espera que a campanha salarial deste ano seja definida com maturidade, nos debates com o setor patronal. "Se eles (os bancos) quiserem resolver a campanha via negociação, terão de apresentar propostas dignas às reivindicações dos bancários."
Em campanha salarial, os bancários reivindicam reajuste salarial de 12,8% - inflação do período mais aumento real de 5% -, participação de lucros e resultados (PLR) de três salários mais R$ 4.500, piso do Dieese (R$ 2.297,51 em junho), 13ª cesta-alimentação, implementação de plano de carreira, entre outros. A próxima mesa de negociação está marcada para terça-feira (20). A Fenaban prometeu apresentar uma proposta global para a categoria.
Carlos Cordeiro, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), destacou que espera que os bancos dêem proposta concreta no próximo encontro. "Esperamos que o setor patronal contemple as reivindicações da categoria, envolvendo remuneração digna, emprego, saúde, condições de trabalho, segurança e igualdade de oportunidades", frisou.