Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Para ex-ministro, exportações surpreendem e balizam PIB maior

Quinta, 14 de Abril de 2005 às 12:15, por: CdB

O fôlego das exportações, apesar da recente apreciação do real, irá contribuir para que o crescimento brasileiro fique mais próximo de 4% do que de 3,5% neste ano.

Para o ex-ministro da Fazenda e sócio da consultoria Tendências Maílson da Nóbrega, o consumo das famílias ainda é o principal motor da expansão, mas a surpresa com o comércio exterior é que motiva a revisão.

- Vamos revisar as projeções do PIB porque o setor externo está muito acima de qualquer expectativa otimista - afirmou nesta quinta-feira após seminário promovido pela Tendências.

Para o superávit comercial, a estimativa saltou de pouco mais de 27 bilhões para 33,8 bilhões de dólares.

- As análises, no geral, estavam levando em conta o Brasil dos anos 80, em que o câmbio se apreciava e as exportações caiam. Não levavam em conta esse novo Brasil, em que há empresas que se voltaram de vez para o exterior e em que têm capacidade de aumentar os preços em dólar.

Maílson também crê que o superávit primário de 4,25 por cento do PIB é suficiente para manter a trajetória decrescente da dívida e levar o país a "investment grade" em cinco anos.

- Acho que é possível chegar a uma relação dívida/PIB abaixo de 40% com superávit até menor que esse, mas em prazo mais longo. O governo tem dado sinais de que quer esse processo mais rápido. Não será surpresa se o 'investment grade' vier entre 2008 e 2010.

O ex-ministro frisou, no entanto, que esse processo precisa ser acompanhado de avanço institucionais - como a autonomia do Banco Central e a reforma trabalhista, por exemplo.

- O único risco que vejo hoje é o cenário externo. Afastamos hoje qualquer risco interno.
 
Se o petróleo continuar nas alturas ou o aperto monetário nos Estados Unidos for mais agressivo, a economia brasileira deve sentir - mas em nada os efeitos devem ser comparados aos das últimas crises externas, como a russa e a mexicana.

- De um quarto de século para cá o Brasil nunca teve um grau de vulnerabilidade tão baixo - argumentou Maílson.

Sem a piora das condições externas, o juro brasileiro poderia começar a cair no fim do terceiro trimestre ou início do quarto, acrescentou o ex-presidente do BC e também sócio da Tendências Gustavo Loyola.

- E nossa expectativa é de que a queda (a partir daí) se dê de forma modesta este ano porque há uma certa resistência da inflação em cair abaixo de 0,50% ao mês - afirmou Loyola, acrescentando que a previsão é de Selic entre 17,5 a 18% no fim do ano.

Para a reunião do Copom na semana que vem, a previsão é de estabilidade.

Segundo Maílson, se o cenário atual for mantido, a chance de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é grande.

- Vemos como de baixo risco uma alternativa populista nas próximas eleições - disse, citando os nomes do ex-governador do Rio Anthony Garotinho, do governador do Paraná, Roberto Requião, e do prefeito do Rio, César Maia.

- A probabilidade de reeleição de Lula, mantido o cenário de hoje, é muito grande.

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