Rio de Janeiro, 06 de Fevereiro de 2026

Para especialistas, só falha mecânica não explica acidente

Sexta, 20 de Julho de 2007 às 08:34, por: CdB

O problema no reversor direito do Airbus-A320 da TAM não seria suficiente, sozinho, para provocar o acidente de terça-feira, conforme garante especialistas.

Só uma conjunção de fatores pode explicar o acidente, incluindo ainda a possibilidade de outros problemas técnicos, de falta de aderência da pista de Congonhas e de eventuais erros do piloto --que vão da decisão de pousar sob condição de risco ao momento incorreto de arremeter (subir novamente).

Técnicos apontam ainda que a pista do aeroporto, além de escorregadia sob chuva, é curta e sem área de escape, algo que potencializa as dificuldades.

A aeronave não depende dos reversores para frear nas situações normais. Isso porque, embora usado praticamente em todos os pousos do tipo, ele é só um instrumento extra para ajudar a frenagem do avião, que é projetado para parar com freios das rodas e aerodinâmico.

Pedro Goldenstein, piloto há 26 anos, prefere não fazer comentários a respeito do acidente, mas dá a explicação técnica.

— Há sistema de freio de rodas, aerodinâmico e reversor, que é só auxiliar. O avião tem que ser capaz de parar mesmo sem reversor. Todo mundo aciona, até porque economiza freio das rodas, mas não é computado no cálculo da performance do avião — afirma ele.

Há, porém, situações que poderiam potencializar as conseqüências de uma falha mecânica como essa. — Por exemplo, se os problemas no reverso foram somados à aquaplanagem — diz Jorge Eduardo Leal Medeiros, professor da Escola Politécnica da USP (Poli/USP).

O piloto e engenheiro aeronáutico James Waterhouse, professor da USP de São Carlos, diz que, em Congonhas, se a pista estiver úmida, chovia no momento do acidente de terça-feira, é difícil pousar sem uso do reversor. Há diversos relatos no dia do acidente apontando que ela estava escorregadia.

— O acidente é uma reunião de fatores contribuintes. Aquela pista não oferece as condições ideais, mas sozinha não é um fator decisivo — diz Raul Francé Monteiro, ex-piloto da TAM e coordenador do curso de ciências aeronáuticas da Universidade Católica de Goiás.

— A pista com certeza tinha problemas de aderência — diz Apostole Lack Chryssatidis, diretor-presidente da Abetar (Associação Brasileira de Empresas de Transporte Aéreo Regional), reforçando a avaliação de que a causa do acidente não resulta de um único fator.

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