Rio de Janeiro, 08 de Outubro de 2026

Para economista, governo age com atraso perante a crise

Para o o economista José Luís Oureiro, "o governo passa a impressão de que tem agido com um passo atrás, com certo atraso para conter a crise". Oureiro é professor da Universidade de Brasília (UnB) e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômica e Social (CDES), órgão consultivo da Presidência da República.(Leia Mais)

Domingo, 25 de Janeiro de 2009 às 09:23, por: CdB

Para o o economista José Luís Oureiro, "o governo passa a impressão de que tem agido com um passo atrás, com certo atraso para conter a crise". Oureiro é professor da Universidade de Brasília (UnB) e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômica e Social (CDES), órgão consultivo da Presidência da República.

– O governo tem agido como se estivesse reagindo aos acontecimentos. Talvez porque existia antes uma idéia de que a economia brasileira estivesse blindada em relação aos efeitos da crise, ou talvez porque o governo não consiga se livrar da maldita herança ideológica do governo anterior. Trata-se de um política ortodoxa e conservadora – destacou.

Oureiro citou a demora em adotar uma política mais expansionista em relação ao crédito.

– Há dois meses, havia gente ainda defendendo aumento de juros – criticou, ao defender que já havia em outubro e novembro um cenário com inflação baixa e com vistas a uma baixa produção.

– O governo fica com medo de fazer uma política fiscal expansionista e aumentar a dívida pública. Mas a dívida pública diminuiu. O governo tem hoje mais espaço para agir e fazer uma política anticíclica – sugeriu.

Oureiro defendeu que o governo use os bancos públicos para forçar uma política de expansão do crédito. Ele acredita que o governo deve repetir o aporte de recursos feito ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), só que junto ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal.

– É o momento de usar os bancos públicos como instrumentos de política de crédito – destacou.

 Mesmo com atraso, o professor reconhece que houve uma mudança no discurso do governo, a partir do fim do ano passado, com o agravamento da crise e seus efeitos na economia brasileira.

– Até outubro, o governo ainda dizia que era uma ‘marolinha’. Até que veio a forte desvalorização do real frente ao dólar – disse.

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