O diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, disse, nesta quarta-feira, que o sigilo dos gastos da Presidência da República é necessário para a segurança do presidente. Segundo ele, o melhor é que sejam mantidos os atuais procedimentos, já que o presidente, o vice-presidente e seus familiares não podem estar expostos a situações de ameaça.
Em reunião da CPMI dos Cartões Corporativos, Lacerda informou que o orçamento da Abin em 2007 foi de R$ 69 milhões. Desse total, R$ 11,7 milhões foram gastos sigilosos (o que corresponde a 16,9%, menos de R$ 1 milhão por mês). Além disso, o ano de 2007 foi considerado atípico por causa da realização dos Jogos Pan-Americanos no Rio.
Controle de despesas
O deputado Indio da Costa (DEM-RJ) afirmou que "não é uma verdade inteira" a declaração de Lacerda de que os dados sigilosos são submetidos a todos os órgãos de controle. O deputado lembrou que o Congresso Nacional também é um órgão de controle e não tem acesso às informações sobre os gastos da Presidência da República, apesar de esses dados estarem de posse do Tribunal de Contas da União (o TCU é um órgão auxiliar ao Congresso).
Costa informou que o DEM vai ingressar no Supremo Tribunal Federal (STF) para que o Parlamento tenha acesso a esses dados, garantindo a confidencialidade.
Dilma
O presidente do Senado, Garibaldi Alves, chegou agora ao Congresso, desaconselhando o açodamento na convocação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para depor no Senado.
- Essa ansiedade de ouvir a ministra não é algo bom. Não é ouvindo a ministra que vai se chegar a uma conclusão definitiva. Afinal de contas, a CPI não se resume a ouvir a ministra. Eu sou mais pela investigação menos açodada, pela investigação mais tranqüila, balizada em documentos, fatos. Já fui de CPI e sei que esse é o caminho de uma CPI que quer apurar - afirmou Garibaldi.