Por: João Peres, Rede Brasil Atual
Publicado em 14/09/2011, 14:53
Última atualização às 14:53
TweetSão Paulo – A presidenta Dilma Rousseff considera que dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo, que cumpre 90 anos nesta quarta-feira (14), foi “um facho de luz e de esperança para todos os brasileiros que não se conformavam com o regime de arbítrio e as perseguições políticas” promovidas pela ditadura (1964-85).
A pedido da Rede Brasil Atual, a presidenta escreveu uma declaração em homenagem ao “cardeal dos trabalhadores” na qual enfatizou o papel fundamental de dom Paulo em um “momento crucial da vida política do nosso país.
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O franciscano chegou a São Paulo como bispo auxiliar em 1966, e em 1970 assumiu o comando da Arquidiocese, quando começou a atuar de maneira central na luta contra as violações aos direitos humanos e às mortes comandadas pela repressão. Entre outras coisas, comandou a criação da Comissão Justiça e Paz, que passou a denunciar dentro e fora do país as torturas e os assassinatos. Além disso, deu respaldo ao projeto Brasil Nunca Mais, que montou o primeiro retrato sistemático das violações cometidas nos aparelhos repressivos e denunciou o nome de 444 agentes do regime.
Dilma, por sua vez, militou em grupos de resistência à ditadura, e acabou presa e torturada em 1970. Durante dois anos, passou pela Operação Bandeirante (Oban) e pelo Presídio Tiradentes, em São Paulo, dois dos lugares sobre os quais dom Paulo concentrava sua atuação na tentativa de evitar que os agentes da repressão realizassem torturas e cometessem assassinatos. Na sede da Oban, em 1975, foi morto o jornalista Vladimir Herzog, o Vlado, o que resultaria em um dos episódios simbólicos da ditadura. Para muitos, o ato ecumênico convocado por dom Paulo para a Catedral da Sé, marco-zero da capital paulista, transformou-se no início da queda do regime. Para Dilma, a trajetória transforma dom Paulo em "um líder religioso de expressão mundial".
Confira a íntegra, a declaração da presidenta por ocasião dos 90 anos do arcebispo.
Nota da presidenta Dilma Rousseff"Quero cumprimentar dom Paulo Evaristo Arns, líder religioso único, pela passagem de seu nonagésimo aniversário. Homenageio o sacerdote que, num momento crucial da vida política do nosso país, foi um facho de luz e de esperança para todos os brasileiros que não se conformavam com o regime de arbítrio e as perseguições políticas e sonhavam com um Brasil livre e mais justo socialmente. Parabenizo D. Paulo, que empregou suas energias na batalha pela liberdade, na defesa dos direitos humanos, acolhendo e protegendo os perseguidos pela ditadura, na ajuda ao povo pobre, em prol de seus direitos de cidadania, e no combate às desigualdades sociais. Minhas saudações ao Arcebispo Metropolitano de São Paulo que defendeu os líderes sindicais nas greves, deu apoio decisivo aos movimentos contra a alta do custo de vida, contra o desemprego e pelas eleições diretas. Toda essa trajetória faz de D. Paulo Evaristo Arns um líder religioso de expressão mundial."
Dilma Rousseff, Presidenta da República Federativa do Brasil