Seis deputados das Comissões de Direitos Humanos e Segurança da Câmara visitaram nesta sexta-feira a Casa de Custódia de Benfica na zona norte do Rio de Janeiro e consideraram o lugar pior do que a Bósnia e o Iraque.
"Estou perplexa. A Bósnia, o Iraque, é melhor que isso aí (a Casa de Custódia)...não existe segurança, autoridade estadual e poder público lá dentro. É um absoluto descontrole", disse a deputada Denise Frossard (PSDB-RJ).
Os parlamentares passaram aproximadamente duas horas visitando o local, que foi parcialmente destruído durante uma rebelião que deixou um saldo de pelo menos 31 mortos.
Segundo os deputados, o presídio está bastante danificado, os detentos estão amontoados e a infra-estrutura é precária, com pisos alagados e pouca iluminação.
Eles contaram também, após a visita, que o clima na Casa de Custódia é tenso e alguns detentos afirmaram que ainda há armas escondidas nas celas.
"Os presos disseram que ainda existem até explosivos guardados, já que os presos ficaram durante muito tempo controlando a cadeia", afirmou a deputada Larua Carneiro (PFL-RJ), referindo-se às 62 horas de rebelião, iniciada sábado.
Os presos entregaram a ela um celular e um espelho quebrado para mostrar que a vigilância no local é falha.
De acordo com o deputado Chico Alencar (PT-RJ), pelo menos 40 presos jurados de morte serão transferidos a partir desta sexta-feira para outras unidades, para diminuir a tensão no presídio.
"A situação de emergência continua na Casa de Custódia, os presos ainda estão muito agitados, e o primeiro passo será tirar daqui os vulneráveis e acuados", disse Alencar.
Os parlamentares criticaram também a mistura de detentos de facções rivais no mesmo local. "Colocar facções diferentes, periculosidades diferentes, no mesmo ambiente é só acender o fósforo para explodir. A bomba está montada e o Estado é o responsável pela custódia dessas pessoas", argumentou o deputado Mauro Hering (PDT-RJ), presidente da Comissão de Direitos Humanos.
Quatro dias após o fim do motim, o governo do Estado ainda não divulgou a lista completa de mortos e sobreviventes da rebelião em Benfica.
Segundo a direção do presídio, a unidade está abrigando atualmente 812 detentos; 12 presos que ficaram feridos no motim estão internados, cinco dos 14 fugitivos foram recapturados e 30 morreram ainda durante a rebelião.
Nesta sexta-feira, sete presos fugiram durante a madrugada do Complexo da Frei Caneca, no centro do Rio de Janeiro. Os presos usaram cordas para escalar os muros da unidade.
Durante a fuga, traficantes deram cobertura aos fugitivos e passaram de carro na frente do presídio atirando contra os sentinelas que estavam na guarita. Dois fugitivos foram recapturados ainda no pátio do complexo.