Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Para Dalai Lama situação no Tibet é de "genocídio cultural"

Líder do Tibet disse à BBC que China 'tem armas mas não controla mente humana'. O líder espiritual do Tibet, Dalai Lama, pediu uma investigação internacional sobre o que caracterizou como genocídio cultural cometido pelas autoridades chinesas na região autônoma. (Leia Mais)

Domingo, 16 de Março de 2008 às 06:52, por: CdB

O líder espiritual do Tibet, Dalai Lama, pediu uma investigação internacional sobre o que caracterizou como genocídio cultural cometido pelas autoridades chinesas na região autônoma.

 Em uma entrevista a jornalistas, o lama - palavra tibetana que designa o mestre ou líder espiritual - disse ter sentido o mesmo espírito de 1959, quando o último grande levante tibetano contra a ocupação chinesa acabou obrigando-o a se exilar no exterior.

- (A situação) se tornou muito, muito tensa. O lado tibetano está determinado. O lado chinês está igualmente determinado. Isso significa: mortes e mais sofrimento. O governo chinês não está vendo a realidade. Eles acham que só porque têm armas têm o controle. Sim, podem controlar. Mas não podem controlar a mente humana. Quanto mais repressão, mais ocupação militar e mais repressão militar, mais ressentimento - declarou ele. 

As declarações foram feitas em Dharamsala, no norte da Índia, onde o guru vive desde 1959. Mais tarde, ele falou a um grupo de jornalistas e pediu uma investigação para descobrir o que está acontecendo na região do Tibet.

- Por favor, investiguem por sua conta, ou se possível com alguma organização internacional, primeiro, qual é a situação no Tibet, e quais são os prejuízos, pediu ele aos repórteres. Que o governo chinês admita ou não, este é o problema. O problema é que uma nação com um patrimônio cultural antigo está enfrentando sérios perigos.

Amigos e inimigos

Neste domingo, a capital do Tibet, Lhasa, amanheceu tranqüila, com soldados chineses patrulhando as ruas da cidade e do centro velho. Tanques chineses garantem calma em Lhasa.

Uma emissora de TV de Hong Kong afirmou que cerca de 200 veículos militares, cada um carregando 60 soldados armados, estão na cidade. Tropas da província vizinha de Chengdu tiveram as férias canceladas e estão aquarteladas. "Diferencie inimigos de amigos, mantenha a ordem", diz uma mensagem emitida em altos-falantes públicos na cidade.

O número de mortos nos episódios violentos da sexta-feira e sábado em Lhasa ainda permanece envolto em incertezas. O governo da região autônoma, que tem o apoio de Pequim, reconhece dez mortos, mas o próprio Dalai Lama disse ter recebido informações de que o número é dez vezes maior.

Jovens radicais

O governo deu aos manifestantes um prazo até a meia-noite da segunda-feira para se renderem. As autoridades tibetanas prometeram poupar aqueles que se arrependerem – e responder com força aos que insistirem no que qualificam de atos criminosos. Mas o Dalai Lama disse não poder garantir que os manifestantes voltem atrás, mesmo que ele faça apelos pelo fim da violência.

- Não sei (se os manifestantes estão dispostos a se render), disse ele.

Segundo o lama, as gerações mais jovens, tanto no Tibet quanto no exílio, estão mais ressentidas e menos tolerantes em relação à China que gerações anteriores. Segundo Dalai Lama, manifestantes "não querem secessão".

Na sexta-feira, os manifestantes perseguiram chineses que vivem na cidade, acenderam fogueiras para incendiar seus pertences, realizaram saques e queimaram lojas. De outro lado, a polícia teria utilizado bombas de gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes que desafiaram o toque de recolher imposto pelo governo chinês.

- Não estamos querendo independência ou secessão. Estou totalmente comprometido com a estabilidade, unidade. Isto é essencial. Mas a estabilidade e a unidade devem vir do coração. - disse o Dalai Lama.

O líder espiritual tibetano enfatizou que ainda apóia a realização das Olimpíadas em Pequim, em agosto. Em sua opinião, é a oportunidade para os chineses demonstrarem alinhamento aos princípios da democracia e da liberdade de expressão.

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