O grande desafio do futuro papa será fazer com que a Igreja Católica acompanhe as polêmicas novidades da vida atual, como a biotecnologia, disse nesta sexta-feira o cardeal arcebispo metropolitano de São Paulo, dom Cláudio Hummes.
- Estamos vivendo em uma ebulição muito forte... A Igreja tem como grande desafio dialogar com todo esse progresso para dar novas respostas aos novos problemas - disse Hummes a jornalistas.
O cardeal arcebispo ressaltou o carisma e o papel de missionário do papa João Paulo 2o. e disse que não havia sentido em cogitar uma viagem a Roma antes do falecimento do pontífice.
- A ida a Roma dependerá de como vai se desenvolver o estado de saúde do papa. Creio que os cardeais só seguirão para lá se houver o falecimento do papa - disse dom Cláudio quando questionado se já teria sido chamado ao Vaticano.
O cardeal arcebispo evitou fazer comentários sobre o sucessor do papa, limitando-se a dizer que "todos os cardeais são candidatos num eventual conclave". Cinco cardeais brasileiros estão aptos a votar.
Para dom Cláudio, o papa João Paulo 2o. é o maior do século 20 e um dos maiores pontífices da história da Igreja. Justificou sua declaração dizendo que o atual papa tem um enorme carisma, vive como um missionário, sempre teve uma grande influência junto à população pobre e ajudou a fortalecer o diálogo entre as igrejas.
Dom Cláudio Hummes, de 70 anos, relatou que seu relacionamento com o papa sempre foi muito cordial e que João Paulo 2o. costumava lhe perguntar sobre o Brasil. Ele se interessava pela reforma agrária, e principalmente pelo fato de 10 por cento dos católicos no Brasil terem deixado a Igreja.
- O papa é um amigo, um irmão e um grande mestre - disse dom Cláudio, que ocupa 10 cargos no Vaticano. Ele é um dos quatro cardeais responsáveis pela área econômica do pequeno Estado.
Missa pelo Papa
Cerca de mil pessoas, segundo a estimativa da cúria, reuniram-se na Catedral da Sé, no centro de São Paulo, nesta sexta-feira, no que foi a terceira missa realizada apenas hoje pela saúde do papa.
Entre os fiéis estava Damiana Cunha, dona-de-casa de 60 anos que estava sentada na primeira fileira. Segurando o terço numa mão e a foto do papa João Paulo 2o. na outra, ela orava pela saúde do pontífice.
- Vim aqui especialmente para rezar por ele, pela saúde dele. Acho que ele ainda tem que viver mais, para rezar por nós e para pedir paz - disse Damiana.
D. Cláudio Hummes, que rezava a missa no início desta tarde, chegou a comparar a agonia do papa à de Jesus em seu sermão.
- O papa está nos dando o grande exemplo final sobre o sofrimento. Está dando o testemunho mudo... ele não quis se esconder porque quis dizer ao mundo que o sofrimento, e inclusive a morte, pode ter o sentido de salvação, que é a mesma mensagem da Páscoa - disse o cardeal.
- O papa está dando o testemunho de que a vida vence e também está se preparando para um dia ressuscitar.
Para D. Cláudio, futuro papa terá desafios como biotecnologia
Sexta, 01 de Abril de 2005 às 13:27, por: CdB