Rio de Janeiro, 11 de Maio de 2026

Para Chirac, uso da força deve ser último recurso

Sexta, 18 de Outubro de 2002 às 11:17, por: CdB

O presidente da França, Jacques Chirac, disse nesta sexta-feira que o uso da força contra o Iraque deveria ser apenas um último recurso para resolver conflitos internacionais, tais como a crise do Iraque, acrescentando que o mundo tem que resistir a "tentações de aventura". Chirac fez suas declarações no Líbano, onde participa de uma reunião de cúpula de países francófonos, enquanto os Estados Unidos buscavam apoio para uma resolução nova e mais dura sobre o Iraque. Membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a França liderou a resistência a um esboço norte-americano de resolução que pedia o uso da força se Bagdad não cooperar. Diplomatas disseram que os Estados Unidos está, agora, fazendo circular um novo texto, mais aceitável para a França. "No mundo moderno, o uso da força deveria ser apenas um último, e excepcional, recurso", declarou Chirac em Beirute, a capital libanesa. "Deveria ser permitido somente no caso de legítima defesa ou por decisão das autoridades internacionais competentes". "Ao falarmos de fazer com que o Iraque cumpra suas obrigações, de relançar o processo de paz israelense-palestino ou de resolver conflitos na África, a mesma lógica da legitimidade tem de inspirar todos nós, porque só isso nos protege firmemente de tentações de aventura", acrescentou o presidente francês. Na quinta-feira, Chirac havia declarado que a França vinha fazendo tudo o que podia para encontrar uma saída diplomática para a crise iraquiana, mas disse que Bagdad tem de se desarmar para ajudar a evitar uma guerra. Padrões duplos O presidente do Líbano e anfitrião da cúpula, Emile Lahoud, disse em seu discurso inaugural que qualquer ação militar contra o Iraque por ignorar resoluções da ONU seria hipócrita enquanto Israel não implementa resoluções aplicadas ao Estado judaico. Lahoud disse que a ONU tem a "autoridade suprema" para resolver conflitos internacionais, incluindo a crise iraquiana. "Argumentos invocados em apoio a tal ação, nominalmente o desrespeito iraquiano a certas resoluções das Nações Unidas e sua produção de armas de destruição em massa, permanecerão inconvincentes enquanto Israel... continuar a ignorar, com impunidade, um grande número de resoluções da ONU", acrescentou. O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, disse aos participantes da cúpula que "os tambores da guerra contra o Iraque aumentaram os problemas na região", numa referência ao Oriente Médio, e elogiou os esforços para resolver a crise por meios pacíficos. "Nós esperamos que um senso de razão e de sabedoria prevaleçam para lidar com a crise iraquiana", afirmou Moussa.

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